10 abril, 2014

O QUE NATAL TEM OU NÃO TEM?

Lembro-me de Natal quando cheguei para morar nos anos 80 (83 para ser mais preciso), uma cidade horizontal, limpa, organizada, povo educado, bem diferente das similares brasileiras de então mas trinta anos se passaram e Natal piorou e muito. A população se agigantou nos números os 250 mil habitantes são hoje quase 900 mil sem contar a área metropolitana, aqueles que antes saiam do seus vilarejos e cidades interioranas em direção ao Rio de Janeiro e São Paulo inverteram a migração para a capital do estado potiguar, muitos cederam aos encantos equatoriais da tranquila e pacata capital e saíram das grandes cidades do centro sul do pais para se instalarem nessas paragens de dunas e mar verde, regada por uma fresca brisa atlântica. Tudo conspirava a favor mas faltou uma coisa, faltaram homens e mulheres de brio, de visão de futuro e Natal sofreu do pior que lhe podia acontecer, ausência de planejamento urbano para os próximos 100 anos. Tudo que natal teve no final do século XIX e inicio do XX e que lhe garantiu a beleza ainda marcante nos bairros de Petrópolis e Tirol, Alecrim, Barro Vermelho, Ribeira e Cidade Alta, faltou-lhe no final do século XX e inicio do XXI.
Verticalizaram a cidade criminosamente, escondendo a cordilheira de dunas que marca a geografia da cidade em vez de estabelecer limites de altura dos prédios que deveriam crescer em direção ao Rio mantendo preservada a paisagem e a circulação dos ventos que tornam amena a temperatura da cidade, mas o que vemos foi exatamente o oposto. Uma cidade sem calçadas transitáveis, sem arborização e onde ela existe as árvores são inapropriadas, o que  fizeram desistir dos benjamins e das algarobas altaneiras, criadoras de sombras e impacto pequeno? para substituí-las por arvoretas como as acácias que não projetam sombras ideais e tem raízes agressivas que rompem o calçamento e/asfalto além de sujarem as ruas. Cadê as árvores das calçadas? como caminhar debaixo desse sol equatorial sem a proteção delas? não basta plantá-las nos canteiros centrais que sombreiam veículos e não gente e não fazê-lo também nas calçadas.
O trânsito que era pacato e ordeiro e que chegava a ser irritante, eles os Natalenses sempre preferiram dirigir em marcha lenta na faixa esquerda, culpa talvez do sistema de retornos implantados nas avenidas sempre a  esquerda em recuos planejados, para saírem do sinal ao despontar a luz verde era uma novela mais esticada que as da TV Globo, mas apesar dessas e outras era uma cidade encantadora, as pessoas mais simpáticas e educadas apesar das invasões constantes de privacidade tão tipicas em cidades provincianas, mas hoje sobrou apenas o pior.
É verdade que eu joguei uma roleta russa, mas no fim deu tudo certo.  Eram 23:50 de uma noite quente e abafada de março último no Rio de Janeiro e as escadas rolantes do metrô simplesmente não funcionavam mais, um desavisado ou safado mesmo funcionário as desligou forçando-me a subir aquelas longas e quase infinitas escadas da estação Arco Verde e não deu outra quando cheguei ao final da sofrida escalada meu peito apertou a dor se espraiou pelo braço esquerdo e pensei em alta voz cerebral (rsrs) isso é coração não são gases não e passei os minutos seguintes até chegar em casa se ia ou não a cardiologia no São Lucas por fim resolvi não ir. Dia seguinte por três vezes, pequenos esforços físicos, como andar rápido, me deixavam cansado e com dor no peito  aí tive certeza é o coração de novo mas não vou ao hospital não, como tava com passagem marcada para dois dias depois vejo quando chegar em Natal, mesmo assim ainda passei 4 dias até achar meu médico e marcar uma consulta de emergência NO PRÓPRIO HOSPITAL ONDE ele estava OPERANDO e me atendera num intervalo entre uma e outra cirurgia. Dali não sai mais, fiz um cateterismo e internado imediatamente após, o risco eram imenso de enfartar a qualquer segundo.
Segunda feira passada feita a cirurgia e ainda todo marcado e dolorido voltei pra casa. DESENTUPIDO OUTRA VEZ HEHEHEHE.