31 outubro, 2009

PUNIÇÃO E ECONOMIA (continuação)

A fiança evoluiu de uma compensação à parte lesada para uma forma de enrequecimento de autoridades judiciais e o castigo corporal e capital aplicados cada vez mais intensamente às classes servís. A aplicação do novo sistema era baseado em concepções meramente classistas e não de ordem moral, como tentavam fazer crer. A introdução das penas corporais não foi um processo repentino, mas gradual e intrinsicamente relacionada ao quadro social vigente.
As penas de morte, mutilações e torturas físicas tornaram-se rotineiras no século XVI. Os métodos de execução tornaram-se mais brutais, pois já não bastava matar, era necessário matar com o máximo de sofrimento. As execuções tornaram-se macabros espetáculos para onde afluiam as massas, que tinham nesses rituais a oportunidade de exercer o seu poder. Lutero dizia:
" A mera execução não era punição suficiente e que os legisladores deviam perseguir, golpear, estrangular, queimar e torturar as massas de qualquer maneira".
Lutero sacralizava a Tortura.

30 outubro, 2009

PUNIÇÃO E ECONOMIA

Diversos foram os sistemas penais ao longo da história humana e estes sempre estiveram diretamente relacionados a um modelo econômico predominante.
Na Idade média, no período conhecido por alta idade média, destacaram-se a indenização e a fiança, já os suplícios físicos e as penas capitais, na idade média baixa foram as modalidades punitivas hegemônicas.
No Feudalismo o Direito Penal era caracterizado pela ênfase na manutenção da ordem pública entre iguais em posses e posição social. Se alguém cometia uma transgressão das normas morais, da decência, da religião, ou matasse, ou injuriasse um vizinho, uma reunião de homens livres era organizada para julgar e condenar o acusado ao pagamento da WERGELD ou a expiação da culpa de maneira que a parte injuriada não se vingasse, seja pelo cometimento do crime de homicídio ou por outra ação qualquer que pudesse provocar a anarquia no tecido social. O crime neste período era visto como uma ação de guerra, logo a preservação da paz era a preocupação central do direito criminal feudal. Esse método de arbitragem visava impor uma fiança, cujos valores eram aplicados e variavam de acordo com o status social das partes conflitantes.
O crescente empobrecimento das classes servÍs ocorrido entre a alta e a baixa idade média, teve como consequência direta a incapacidade dos transgressores das classes subalternas de arcar com o pagamento das fianças arbitradas, com isso observou-se que o sistema penal baseado no pagamento de fianças restringiu-se progressivamente a uma pequena parcela da população além de uma crescente introdução de penas corporais supliciais e capitais , aplicadas àqueles incapacitados de pagar as fianças arbitradas.
Três forças atuaram contra o caráter privado do direito penal medieval: primeiro, o crescimento da função disciplinar do senhor feudal; segundo, a luta de reis e príncipes em fortalecer-se, trazendo para sí direitos jurisdicionais; e por último, vale destacar, o interesse fiscal, já que o direito penal provou ser uma ótima fonte de receitas. É nesse período que o direito penal sofre uma grande transformação, de mero árbitro entre interesses privados para uma posição decisiva do direito público.

28 outubro, 2009

RIO 37,5°

Numa tarde de chuva/
O Rio de Janeiro lava/
Suas ruas/
Suas calçadas/
Suas almas.

Em pé, vendo-a cair/
Te aguardo/
Com fome/
Com medo/
Da torrente que desaba sobre minha vida/
Da tormenta que não cessa de me bater.

Teu toque/
Não mais imaginário/
Não me dá tempo/
De saber sentir/
Minha desconfiança é grande/
Meu alerta em prontidão/
Diz/
Cuidado!

Teus olhos cheios de lágrimas/
Me escondem tua vida/
Tua febre me diz a verdade/
Tua taquicardia me anuncia/
Colada no meu peito/
O amor/
Que a tua tresloucada vida/
Não consegue abater/

Do teu corpo/
Da tua lingua/
Do  teu cheiro/
Do teu amor/
Que não consigo esquecer.

DISTRITO 9

O primeiro filme de ficção científica onde fica claro o papel da vilania humana, ao contrário dos filmes hollywoodianos que exploram sempre a possibilidade de sermos invadidos, do perigo de fora, da possibilidade de sermos escravizados e colonizados, esse filme sul-africano prima por mostrar que nós somos os monstros e que os de fora também podem sê-lo. Mas o filme vai além, se voce tiver uma visão mais aguçada vai ver no filme uma verdadeira teia de costruções conceituais de ordem puramente filosófica.
Como nós humanos temos a dificuldade de nos vermos tal qual somos, exceto quando nos deitamos nos divãs terapeuticos para descobrir os nossos mistérios inconscientes ou quando temos um diferente para imputar nossos próprios defeitos, o filme trabalha isso na perfeição os ETs do filme são nossos espelhos.
Vale a pena ver!!!!

O anticristo

Essa noite passada fui assistir por recomendação do Mario, um dos filmes mais pesados que assistí recentemente. Não sei ainda dizer se o filme é ruim ou bom, em alguns momentos tive vontade de sair da sala em outros me prendeu a cadeira, resultado fiquei até os créditos.
Um filme de suspense? Não creio, de Terror? Não se encaixa. Mas o roteirista e o diretor fizeram um trabalho de pesquisa histórica muito interessante, sobre feminicídio e a inquisição contra as mulheres nos Estados Unidos, só que a vilã da história era a bruxa e não o personagem masculino e protagonista do filme.

05 outubro, 2009

Turistando....



Há algum tempo atrás, fiz uma viagem fantástica a um desses poucos recantos do litoral brasileiro ainda fora do olhar dos turistas estrangeiros e da especulação imobiliária, que tudo vendem sem se preocupar com outros aspectos, visam apenas o lucro e com isso vão destruindo as belezas originais que a natureza nos ofereceu.
Saimos de Natal pela BR 406 em direção a Macau (noroeste do Rio Grande do Norte) em estrada asfaltada e para os padrões do Nordeste bastante razoável, voce vai cruzar com muitos caminhões tanques da Petrobrás pois essa região é produtora tanto em terra quanto no mar de petróleo e em Gramoré município limítrofe a Macau, tem um pólo indutrial petroquímico da PETROBRÁS, Em Gramoré saimos da BR e passamos a utilizar uma estrada estadual também asfaltada chamada de Estrada do Oléo, a essa altura já estavamos em pleno sertão e o verde cada vez mais escasso, é bom frisar que o eco-sistema da caatinga é fantástico, basta uma pequena chuva e tudo fica verde novamente. São quilometros e mais quilometros onde a presença dos cavalos mecânicos extratores de petróleo se juntam a paisagem seca e pedregosa dessa região.
Na cidade de Alto do Rodrigues atravessamos o Rio Assú em caminhos muito precários e de terra em pontes mais improvisadas ainda que pareciam mais diques do que pontes, o rio não é profundo nessa parte pois é represado há alguns quilometros rio abaixo próximo à cidade do Assú. Seguimos para a outra margem em outra rodovia mais precária mas também asfaltada até Porto do Rio já na Foz do Rio Assú, o lugar é sem graça mas a paisagem do Rio desembocando no mar é fantástica.





Daí em diante fomos em estrada de terra e areia beirando a praia, a praia mesmo!!!!!
Em alguns trechos dava medo de ficar atolado e não ter como sair dalí, é um deserto,- de gente e de areia-, mas conseguimos passar a faixa mais critica e seguimos pela estrada de piçarro vendo as esquerda as dunas cor de rosas e branca das Dunas do Rosado, um mini deserto belíssimo onde foi filmado o filme Maria... do padre Marcelo e a direita o marzão azul cheio de torres de petróleo no horizonte maritimo e aí chegamos ao vilarejo de pescadores da Praia da Ponta do Mel que já contava a época com uma pousada muito simpática localizada em uma fazenda a beira mar, de onde do alto deslumbravamos uma paisagem belissima de dunas pintadas por ilhas de coqueiros formando verdadeiros Oásis e o mar.




Ficamos na Vila de Ponta do Mel onde a caatinga vem molhar-se no Atlântico ( é o unico lugar do país onde a Caatinga alcança o litoral) e dalí diariamente exploramos as praias vizinhas, Redonda e Cristovão, essa última, algo de incomum e excepcional beleza




Chegamos de manhã cedo em Cristovão com a maré baixa, o vilarejo pequeno mas limpo, com ruas calçadas, pouca arborização e muita gente sentada nas calçadas jogando prosa fora, como se estivessem a vigiar as redes de pescar armadas,  secando na praça pública, esperando a hora de seguirem com os pescadores para as jangadas e dalí para suas pescarias em alto mar. O mais interessante dessa praia além da ausência total de turistas exceto pela nossa presença e umas poucas casas de veranistas de Mossoró e de Areia Branca era a grande extensão da faixa de areia até chegar ao mar víamos como umas duas dezenas de barquinhos de pesca emborcados na areia esperando a maré encher para voltarem a graciosamente flutuar nas aguas do mar, a brancura das dunas é ofuscante, e é fundamental ter óculos de sol para proteger os olhos.
Eu, se estivesse sozinho teria batido em uma das portas daquelas casas de pescadores e pediria que me preparassem um bom e suculento prato de peixe a moda da praia, mas minha companhia infelismente não se dava a esses arroubos de praticidade que nos levam a descobertas muito interessantes, e como as choupanas de palha na praia que funcionam como bares só tinham cerveja resolvemos voltar à Ponta do Mel para comer algo, sem deixar de tomar uma cerveja estupidamente gelada evidentemente. A energia elétrica já chegou em todos os rincões do litoral potiguar. Isso foi há três anos atrás, hoje um conhecido me informou que embora ainda sem grande especulação imóbiliária as estradas de acesso a essas praias estão todas asfaltadas.





Um detalhe que ia esquecendo quando chegamos pela estrada que beira a praia em Ponta do Mel tem uma falésia muito bonita, avermelhada e no alto dela um farol de listras negras e brancas da marinha brasileira, o local me fez lembrar a Mesa da Cidade do Cabo na Africa do Sul. Quem puder vá conhecer essa região antes que os especuladores cheguem e transformem em mais uma favela a beira mar.

04 outubro, 2009

Gracias a la vida......

Gracias Mercedez Soza!!!!!!

Minha pia entupida

Da minha janela/
Vejo o céu/
Céu negro/
Cem estrelas/
Nele, suspensa/
Está a Lua/
Grande/
Amarela/
Bela/
E nela, sorrindo pra mim/
Tua imagem/
Minha vida.

Santo Ofício

Das vezes que parei/
Olhei para trás/
Ví mundo bonito/
Ví mundo perdido.

Em todos os recantos/
E todas as geografias/
É tudo sempre igual.

Os suores da meia noite/
Não resistem  ao meio dia/
Deles apenas as doces lembranças/
De uma meia noite.

Apolo, Atena/
Um dia realidade/
Hoje mitologia.

Pecados nefandos/
De uma noite bebada/
Repletos de sussurros insanos/
Fantasias porcas/
Quimeras obscenas/
Expelidas da cama/
Ao raiar do dia.

Das vezes que fodí/
Olhei ao lado/
Ví mundo bonito/
Ví mundo perdido.

Black Out

De bar em bar/
De noite amados/
De dia abandonados/
Nas noites suadas/
Ouvem-se gemidos e gritos/
De dor e de prazer.

Risos risonhos/
De alegrias e histérias/
Em quartos sombrios/
Mal iluminados.

Ouço pedido de carinho/
Baixinho no meu ouvido/
Daquelas mãos quentes e Macias/
Explodindo em meu peito/
Pedindo por amor/
Difícil de recusar.

03 outubro, 2009

Viagem

Dia 7 de outubro volto mais uma vez ao Rio de Janeiro, minha cidade do coração e da alma, não fosse o calor senegalesco que faz nos meses de dezembro à março e maltrata a vida de peludos que nem eu, o Rio seria em tudo o paraíso na Terra.
Sigo para agendar com algumas professoras da Uerj e da Ufrj a análise de projeto do meu doutorado em História Antiga, "O Fundamentalismo Judaíco durante a Monarquia Hasmoneia e o ínicio da derrocada do Estado Judaico na Antiguidade".Devo permanecer na cidade até o dia 04 de novembro.
Dezembro passarei uns dias Entre Portugal (Lisboa e Ovar) e na França (Bretanha e no Sudoeste) para finalmente retornar definitivamente ao Rio no começo de janeiro de 2010 para curtir a festa de aniversário do meu amigo Sergio e também correr atrás de apartamento para me instalar.
VIDA NOVA sem os fantasmas do passado!!!

02 outubro, 2009

Vozes do Irã - Uma Orquestração Trash


O planeta vem acompanhando atonitamente os movimentos iranianos nesse tresloucado teatro em busca do domínio da tecnologia nuclear com claros fins militares.
A história se repete e o que fazemos para não cometer os mesmos erros? Essa é uma pergunta que me faço diariamente quando vejo, leio e observo o mundo se repetindo em flashback com diferentes personagens e em  paisagens diversas.
Penso! E como não possuo  mecanismos próprios para alterar absolutamente nada nesse grande teatro, e como apenas suspeito de como essas peças são encenadas, fico cada vez mais atônito com a loucura  que esses pretensos lideres da humanidade desenvolvem pelos quatro cantos do planeta.
Vejamos o caso dos Iranianos:
Entendo que toda nação tenha o direito de possuir e desenvolver tecnologias que tragam bem estar a seus cidadãos, mas o que fazer quando nos deparamos com uma nação que claramente sinaliza ao planeta seu desejo de fazer dessa tecnologia (nuclear) apenas o uso militar para a fabricação de artefatos nucleares.
O Irã, localizado no Oriente Médio, embora não seja um país arábe é mulçumano e desde a revolução que depôs o Xá e a monarquia tornou-se uma República Teocrática, arquiinimiga de Israel a quem diuturnamente lançam impropérios como a destruição total do Estado de Israel, afirmação de que o Holocausto é um mito criado pelo ocidente e pelos sionistas para garantir a fundação do estado judeu etc., financiam e exportam sua revolução seja para o Líbano onde finaciam o Hisballah, e em Gaza o Hamas. A bomba nas mãos dos aiatolás só Allá sabe no que isso vai terminar. Enfim o que o mundo pode fazer para impedi-los?
Em Israel os analistas políticos e militares consideram o ano de 2010 como limite para solucionar a questão. Os israelenses vem apostando nas iniciativas diplomáticas do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha, cuja reunião com os iranianos está marcada para hoje dia 1/10/2009. Segundo fontes israelenses os iranianos já teriam hoje uranio enriquecido suficiente para fabricar três bombas atômicas.







Os iranianos vem todos esses anos recusando-se a negociar seu programa nuclear, que aos olhos do mais ingênuo observador há claramente um objetivo militar, pois como explicar que um país que tem a segunda maior reserva de gás do planeta e é um dos maiores produtores de petróleo,- mas que entretanto precisa importar 40% da gasolina consumida no país-, tenha necessidade de produzir energia nuclear para fins civis.
 Em declaração a revista alemã DER SPIEGEL  o diretor do organismo iraniano de energia nuclear afirmou o seguinte: " Estamos resignados ao pior, mas não nos dobraremos".
A sensação em Israel por ora é de que foram abandonados pelo mundo à própria sorte, falhando a diplomacia restará apenas a Israel a via militar para defender seu território e sua população .
Em entrevista ao Jerusalem Post no dia 18 de setembro, o General comandante da força aérea de  Israel, Gen. Ido Nehushtan declarou que Israel precisa desenvolver todos os esforços para evitar que o Irã adquira os misseis S-300 da Rússia, esses mísseis são o que há de mais avançado na atualidade, possuem longo alcance, podem atingir simultaneamente mais de cem alvos, possuem alcance de 200km e atingem alvos até altura de 90.000 pés, ou seja uma fantástica barreira de defesa anti-aérea.




 A Rússia de fato já havia negociado a venda desses mísseis aos iranianos e agora seria a data aprazada para o seu fornecimento o que Israel considera inaceitável, pois invibializaria ou dificultaria qualquer missão de ataque as centrais nucleares iranianas, daí a forte iniciativa diplomática israelense junto aos russos com as visitas do presidente Shimon Peres a Moscou e em seguida a do Primeiro-ministro Benyamin Netaniahu  que deveria ser secreta, mas que foi propositadamente vazada pelo serviço secreto israelense, isso logo após o episódio com o navio mercante russo "Mar Artico", sequestrado no mar Báltico e localizado dias depois na costa africana, suspeita-se que tenha sido sequestrado pelo Mossad para interceptar a carga de misseis S-300 que se dirigiam para Teeran, fato negado pelos russos e evidentemente pelos israelenses.
O General Ido Nehushtan declarou ainda que Israel tem todo o direito de autodefender-se e que o papel da Força Aérea de Israel é o de defender o Estado de Israel e seu povo e que isso sabem fazer muito bem, mas que ficariam felizes se os esforços internacionais obtiverem exito e sucesso.