18 novembro, 2009

MASMORRAS INQUISITORIAIS I

"É do conhecimento geral que a cadeia perverte, deforma, avilta e embrutece. É uma fábrica de reincidência, é uma universidade às avessas, onde se diploma o profissional do crime. A prisão essa monstruosa opção, perpetua-se ante a insensibilidade da maioria como forma ancestral de castigo. Positivamente jamais se viu alguém sair do cárcere melhor do que quando entrou".
                                                                        Evandro Lins e Silva - (Revista Veja, 22/05/91)



OS MODELOS PROCEDIMENTAIS CANÔNICOS - ACUSAÇÃO, DENUNCIAÇÃO E INQUISIÇÃO - RESSOARÃO NAS LEIS PORTUGUESAS, ALCANÇANDO AS ORDENAÇÕES FILIPINAS QUE VIGORARAM NO BRASIL. E COMO ESTAS PRÁTICAS FORAM INTERNALIZADAS NO INCONSCIENTE POPULAR, MEDIANTE UM PESADO DISCURSO MORAL, QUE PERMITIU AS ELITES OLIGÁRQUICAS POTIGUARES EXERCEREM E APERFEIÇOAREM INCESSANTEMENTE UM SEVERO CONTROLE SOCIAL, EFETIVANDO ASSIM SEUS PROJETOS DE DOMINAÇÃO PERMANENTE DAS CLASSES SUBMISSAS.
ESSE MODELO DE DOMINAÇÃO SE ESTABELECEU ENTRE DOIS PÓLOS, POR UM LADO A VINGANÇA PRIVADA, E PELO OUTRO, A ELIMINAÇÃO ATRAVÉS DO CONFINAMENTO NAS MASMORRAS INQUISITORIAIS.
O DESCONTROLE POLÍTICO-ADMINISTRATIVO OBSERVADO NAS PRISÕES POTIGUARES (UM GRANDE NEGÓCIO PARA ALGUNS), PROVA A AFIRMAÇÃO DE NILO BATISTA:

" Mas a inquisição nos revela também, pela primeira vez na história, como o sistema penal pode adquirir autonomia que o desvincula do projeto político que o criou, e como essa poderosa criatura, a serviço de correntes específicas pode usar conjunturalmente suas armas prestigiadas e feroses".

A DESPREOCUPAÇÃO DOS GOVÊRNOS EM RELAÇÃO ÀS PRISÕES POR ANOS SEGUIDOS CULMINOU NO SURGIMENTO DE UM PODER ILEGAL, FIRMEMENTE ENTRONIZADO DENTRO DAS PRISÕES, REITERANDO AS PERVERSAS E CORRUPTAS RELAÇÕES ENTRE PRESOS, CARCEREIROS E DIRETORES DE UNIDADES PENAIS.
A EXCLUSÃO SOCIAL É A HERDEIRA DIRETA DO PRINCÍPIO CANÔNICO DA EXCOMUNHÃO CATÓLICA, AMBAS GERAM A DESQUALIFICAÇÃO JURÍDICA DO RÉU, CONVERTENDO-O EM UM SER DESPROVIDO DE CIDADANIA, E QUE POR SER DIFERENTE CONSTITUI-SE EM UMA AMEAÇA À ORDEM OLIGÁRQUICA.
NA EXCOMMMUNICATIO, A IGREJA EXCLUÍA O EXCOMUNGADO DA COMUNIDADE JURÍDICA DA IGREJA, ERA IMPEDIDO DE RECEBER QUALQUER SACRAMENTO, DE ENTRAR EM IGREJAS, DE SER ENTERRADO EM CEMITÉRIOS, NÃO PODIA TESTEMUNHAR NEM ACUSAR, A PRISÃO POR SEU LADO EXCLUI NÃO MAIS DAS IGREJAS QUE AGORA BUSCAM NAS PRISÕES SEUS NOVOS REBANHOS, MAS EXCLUI O PRISIONEIRO DA VIDA CIVIL, AFETANDO SUA CAPACIDADE JURÍDICA.
A PENA DO INTERDICTUM, QUE CONSISTIA NA PROIBIÇÃO DAS FUNÇÕES ECLESIAIS É ENCONTRADA EM NOSSO ORDENAMENTO, ELA RETIRA DOS PRESOS O DIREITO DE VOTAR E SER VOTADO.

"As raízes penitenciais do carcer implicavam em que para certos casos o jejum (dieta a pão e água) acompanhasse a privação da liberdade".

NÃO SE DEVE ESTRANHAR, PORTANTO A PÉSSIMA QUALIDADE DOS ALIMENTOS SERVIDOS AOS PRESOS, POIS ISSO É MAIS UM CASTIGO A ACOMPANHAR A PENA DE PRIVAÇÃO DA LIBERDADE NOS CÁRCERES DO BRASIL, ESSA PRÁTICA BÁRBARA QUE PRODUZ UM LASTIMÁVEL ESTADO DE MISÉRIA HUMANA PROVA O CARÁTER PENITENCIAL E INQUISITÓRIO, NÃO APENAS NO RIO GRANDE DO NORTE MAS EM TODA A NAÇÃO.
(CONTINUA)


TRECHOS DA DISSERTAÇÃO DE MESTRADO "MASMORRAS INQUISITORIAIS: da confissão à disciplina, um caso potiguar.
Flavio Henriques Hebron
2003
Defendida e aprovada em 2003 na UCAM-RIO DE JANEIRO.

11 novembro, 2009

A ARCA SAGRADA

Esse é um dos objetos mais misteriosos  que a exemplo do Graal que já motivou tantas estórias e histórias, aguçam a curiosidade humana.
Os objetos entregues a Moisés no alto do Monte Sinai seriam apenas duas tábuas de pedra lapidadas com o texto dos mandamentos?
Teria havido necessidade de um esforço herculéo de um homem já de idade quase avançada subir ao alto daquela montanha que é alta, escarpada embora não tão dificil de ser escalada por um alpinista, hoje então qualquer um com um pouco de preparo e paciência chega lá pelas trilhas que levam ao mosteiro de Santa Catarina.
Se fossem apenas pedras lapidadas é de se supor que não haveria tal necessidade, e dos poderes descritos na Torah atribuídos a Moisés, não dá para imaginar que tenha sido simplesmente mágica e hipnose aprendida nos templos egípcios, talvez quem sabe a palavra correta  fosse TECNOLOGIA.
Águas de um Mar inteiro separadas por força desconhecidas da natureza terrestre, tudo bem que pode não ter sido exatamente o Mar Vermelho como diz a história, alguns historiadores afirmam a hipótese dos hebreus terem passado no seu exôdos em direção a Terra Prometida  por uma área pantanosa ao norte da África no delta do Nilo, que era a região onde se concentravam os hebreus entao vivendo como escravos ou como uma classe servil obrigada a ocupar-se do trabalho pesado que os egípcios se negavam a fazer. Mas voltando a Arca o que seria alí guardado? Porque apenas os escolhidos por Moisés Aarão e Josué tinham acesso a ela? Como explicar a construção do Santo dos Santos no Templo de Salomão para guardar a Arca, local acessível apenas para hebreus escolhidos a dedo, geralmente Levitas (a casta sacerdotal hebreia) e os da casa de David (o poder político) que num Estado Teocrático como o era Israel na antiguidade é díficil saber onde começa e termina essa fronteira, entre o político e o espiritual.
Como um povo que no Torah  aparece descrito como frágil, pouco armado, desorganizado podia enfrentar exércitos de cidades muradas bem armadas e protegidas e destruí-las assim num passe de mágica?
Por que Hitler possuia um grupo organizado composto de arqueólogos, historiadores e outros pesquisadores embuídos de descobrir esse segredo e mais de tentar encontar pistas que levassem a  sua possível existência e localização?
Seriam os objetos guardados na ARCA armas desconhecidas da humanidade e da capacidade humana de compreender então aquilo senão como milagres do Deus Hebreu?
Não esqueçamos que em todos os embates, a ARCA era sempre levada ao palco dos confrontos, por que e para que?
E então surge a pergunta quem era esse Deus Hebreu? Porque ele desapareceu posteriormente? tornando-se apenas a mais presente forma e concepção de ser superior universal, presente hoje em todas as filosofias e religiões professadas por nós humanos da dita civilização ocidental.

10 novembro, 2009

15 de novembro de 2000

Chove!
A campanhinha toca/
Abro a porta/
Era Júlio de Castilhos/
Um novembro cheio de calores/
E de suores.

Chegastes para nunca partir/
Mesmo quando te expulso/
Mesmo quando duvidas/
Do amor que tenho por tí/
Me voltas e eu....Devagarzinho/
Me rendo/
Ao denso/
Ao tenso/
Ao intenso dos teus olhos azuis.

Aí penso/
Não há Atlântico/
Não há nada /
Não há ninguém/
A me separar/
De tí.

Com todo o meu amor

08 novembro, 2009

VIAGENS BIOGRÁFICAS

Em 1981 saímos de Haogen em um ônibus que nos levaria até Sharm El Sheik no canal de Suez, quando a Península do Sinai ainda era terrítório israelense. Era inverno e fazia frio mas estavamos todos muito excitados em descer finalmente ao deserto onde tantas histórias marcantes se sucederam ao longo destes milênios que marcam a civilização humana ocidental, afinal aquela península foi rota de tantas tragédias e de tantos épicos humanos, foi alí que Deus entregou a Moisés as tábuas da Lei, foi alí que foi forjada a ferro, fogo e fome a nação hebraica a ancestral do moderno Estado de Israel, foi alí nos inúmeros mosteiros esquecidos e escondidos nas montanhas coloridas do Sinai que se construiu parte do Cristianismo, mas também nessas terras secas e pedregosas tantos exércitos passaram em busca de poder, em busca da morte, das riquezas provenientes das conquistas territoriais, por alí passaram, faraós, reis Hititas, Sumérios, Babilônios, Medas, Persas, Israelitas, Gregos, Romanos, Árabes, Turcos Otomanos, Ingleses, Egípcios e Israelenses. E para aquele cenário estava eu indo, dentro daquele ônibus cheio de estudantes na maioria de origem americana, no ínicio parecia divertido escutar as bobagens que eles falavam, as risadas por piadas sem graça, o constante Bull Shit que eramos obrigados a ouvir. Atravessamos a planície costeira do Sharon, passamos por Tel Aviv " a bolha", uma hora depois estavamos já em pleno deserto do Neguev em direção a Beer Sheva a maior cidade do Sul de Israel, e onde mais tarde iria morar e estudar na Universidade Ben Gurion. Esse  deserto é pontilhado por ilhas de verde resultado da vontade e capacidade humana em modificar a natureza para atender sua sobrevivência, haviam trechos imensos que se estendiam por quilometros e mais quilometros de plantações de girassóis, pomares de macieiras, de abacates, de pepinos, e campos belíssimos de trigais já dourados balançando ao vento como se fossem ondas no mar. Depois de Beersheva adentramos no deserto do Aravá (do amor em hebraico) descendo mas para o Sul rumo a Eilat nas margens do Mar Vermelho e a um passo da fronteira da Jordânia naquela época em estado de guerra com Israel, ficava imaginando eu alí tão perto, em pleno palco de guerra!
O deserto do Sinai é um dos lugares mais belos deste planeta, altas montanhas que ao longe tornam-se coloridas com o bater da luz do Sol em suas escarpas secas e duras, margeando a costa recortada do mar Vermelho que é de um azul belissímo e uma estreita planície arenosa onde se formam os ínumeros acampamentos de beduínos. Passamos ao largo de Nueba que era aquela época um famoso balneário israelense e campo de nudismo, repleto de turistas descolados de toda a Europa, corpos nús, bronzeados ou avermelhados que é a palavra mais apropriada para aqueles corpos brancos de Europeus escandinavos que se deleitavam com o sol, a praia e os  cigarros de haxixe, vendidos pelos beduínos que não usavam camelos mas carrões de seis e até oito portas (os Sherutim, carros de lotação) Mercedes Benz. Aquilo para mim era impressionante, eu que havia saído de um país extremamente fechado comercialmente e onde era raro ver um Mercedes Benz de quatro portas, me deparar com esses carros fazendo lotação nas areias do deserto era algo que me fazia rir muito. Paramos num acampamento Beduíno nas margens do Mar Vermelho chamado Dahab (ouro em árabe), o lugar mais fantástico que já estive em toda a minha vida! Era simplesmente encantador poder estar alí!
Na beira da praia uma fileira imensa de pequenas cabanas construídas com folhas de palmeiras de Tâmara cortadas alí no próprio oásis e alugadas aos gringos mochileiros que lotavam aquele lugar( eu era um deles), andavamos todos nus, muitos fumavam haxixe, comíamos Pita, laranja, tâmaras e café turco. Quando alí cheguei foi amor a primeira vista, depois alí em Dahab me ocorreu mais uma outra das muitas coincidências que viví nesse período da minha vida. Falava com alguém que já não lembro mais quem era mas ao dizer-lhe que vinha do Kibutz Haogen a pessoa me dissera que havia também um casal alí que estivera nesse Kibutz e que pela descrição  de imediato descobrí tratar-se dos meus queridos amigos e irmãos Marco Bloch e Evelyn Levi, ele suiço e ela Marroquina/canadense e hoje também cidadã americana, eles são meus amigos até hoje e uma das grandes alegrias dessa minha vida,  não demoramos a nos encontrar naquele emaranhado de pequenas cabanas de palha (tinham no maximo 1.20 de altura), resolví então não seguir mais com o grupo de Haogen até Sharm El Sheik, isso era uma quarta-feira, o ônibus retornaria de Sharm na segunda-feira, combinamos então que eles na segunda-feira parariam na estrada próximo a um desfiladeiro e me aguardariam e/ou vice-versa, esse local marcado ficava seis quilometros do acampamento beduíno de Dahab onde eu estava numa daquelas choupanas na beira do Mar vermelho.
Numa dessas noites imaginando que do outro lado do Mar estava a Arábia Saudita, acendí uma vela a fixei num pequeno pedaço de madeira e deixei-a flutuando e sendo levada para dentro daquele mar calmo sem ondas e ventos, fiquei alguns minutos sentado na praia olhando a luz da vela se distanciando até não mais vê-la, magnífico!
Na segunda-feira cedo partí para o encontro combinado a poucos quilometros ví que o ônibus me aguardava, apenas uma curva e uma montanha me separavam do ônibus mas quando terminei a caminhada e cheguei ao local combinado  ônibus havia partido e eu largado no meio do deserto, sem lenço nem documento. Voltei ao acampamento no Oásis sem dinheiro, sem documentos, sem comida enfim sem nada a não ser a expectativa de mais emoções.
Fui até Di Zahav (ouro em hebraico), vilarejo israelense ao lado de Dahab onde havia uma delegacia de polícia israelense, fui até lá e expus ao policial o que acontecera, ele me ofereceu um café da manhã e disse-me para tentar carona até Nueba que de lá seria mais fácil chegar a Israel mas caso não conseguisse a carona voltasse que poderia ficar alojado na delegacia ou talvez viajar com alguma viatura policial. Fiquei alí na praia em Di zahav perto da delegacia quando me apareceu um jipe land hover,  o motorista desceu do carro e aproveitei para falar com ele, expliquei a situação e pedí-lhe carona mas ele me disse que não era possível pois tinha dois pastores alemães brabos dentro do carro, mas me ofereceu 100,00 shekalim para que eu pudesse viajar, fiquei com o endereço dele em Tel Aviv e assim que voltei pedí que me mandassem café do Brasil e dei-lhe de presente em gratidão ao que me fizera, somos amigos até hoje. Voltei a tarde à Delegacia e o policial me disse que podia viajar até Nueba no camburão da polícia, nunca foi tão bom e divertido viajar de camburão. Quando chegamos em Nueba mais uma surpresa o policial me dizia que podia dormir na Delegacia, jantar com ele e no dia seguinte seguir de Camburão até Eilat. E assim aconteceu.
Em Eilat depois dessas aventuras todas com os 100 shekalim que havia ganho do Rafi comprei dois felafelim e coca cola e uma passagem de ônibus até Tel Aviv, de lá outra para Netânia e finalmente ao Kibutz Haogen.
Hoje isso faz parte do meu tesouro.... A MINHA VIDA.

04 novembro, 2009

VIAGENS BIOGRÁFICAS

Hoje pela manhã acordei por volta das sete e meia da manhã, preparei um café, fechei as malas, tomei uma ducha morna, me vestí e fiz um check out no apartamento e partí para o Galeão. A manhã ensolarada me descortinava um Rio de Janeiro magnífico, a praia de Copacabana com seu transito intenso em direção ao centro da cidade ocupando todas as faixas da Av. Atlântica, o céu azul com um sol já escaldante e as pessoas andando, correndo, passeando com seus animais no calçadão, eu via tudo aquilo e ainda tinha que ouvir ao simpático motorista do táxi, um senhor de meia idade negro que morava em Duque de Caxias relatando seu dia a dia e eu num turbilhão mental com os olhos cheios de lágrimas e o espirito cheio de dor pensando em tudo que me ocorrera principalmente no dia anterior e o anterior a este. Estava tão perto da minha felicidade e mais uma vez ela me é usurpada assim por entre meus dedos sem que eu nada pudesse fazer, me restou uma explosão emocional para evitar mais um enfarte. Depois de uma véspera linda na companhia do ser que eu mais amo nesta vida passeando pela estradinha de Grumarí de mãos dadas vendo aquela fascinante visão da prainha, do Recreio e lá longe a Barra da Tijuca e a Pedra da Gávea já um tanto empalidecida pelas nuvens a lhe cobrir o corpo como se fosse um lençol de seda e eu alí ao lado do meu amor feliz, feliz da vida pensando no futuro que estavamos voltando a construir.
Mas voltando ao caminho do aeroporto, passamos pela enseada de Botafogo,pelo Flamengo, pela praça XV, pelo cais do porto da praça Mauá, o cemitério do Cajú e depois a linha vermelha e o aeroporto, depois do Cajú o Rio perde um pouco a graça e o encanto mas só um pouquinho!
Aguardando o vôo fiz três chamadas telefônicas e nelas todas deixei três mensagens!
Vôo lotado mas direto do Rio à Natal na janela 24F e ainda me apareceu alguém para dizer que estava sentado em sua poltrona, mas continuei lá porque também era a minha ,até nisso, na poltrona me aparecem concorrentes querendo roubar-me o que a vida me presenteia.
Algumas horas depois o aviao faz um giro em direção ao Mar e observo que sobrevoavamos exatamente a cidade de Ilhéus com sua pista de aeroporto bem vísivel entre um rio e o mar e alí me explodiram lembranças caríssimas de uma viagem inesquecível e foi a partir daí que comecei a sentir-me mal, meu braço esquerdo adormecera, uma dor opressiva no peito me dificultava a respiração, dor de cabeça e tontura mas mesmo assim permanecí quieto com a cabeça recostada sobre a janela do avião até que não suportando mais  me levantei e fui até o comissário que sevia o serviço de bordo e pedí-lhe que me acompanhasse até o galley do avião pois estava passando mal, pedí que me dessem caso tivessem a bordo um lexotan mas não havia, solicitaram então caso houvesse no vôo a presença de um médico, também não havia, foi quando o comandante do avião pelo fone me disse que poderia descer em Maceió para que eu podesse ser socorrido, mas eu assumí a responsabilidade de continuar até Natal, faltavam 40 minutos para chegar e arrisquei chegar  ao meu destino, fosse qual fosse ele, dessa vez tive a impressão de que terminaria alí, como imaginara tantas vezes, na brincadeira é claro, sempre dizia que morrer em um avião me traria a fama de alguns segundos rsrsrsrs.
Fiz alguns exercícios de respiração, bebí chá de camomila mas o mal estar persistia e era muito forte, tiraram minha pressão e estava em 19, a possibilidade de uma trombose era iminente segundo o médico que me atendeu ainda dentro do avião quando aterrissamos em Natal, descí do  avião por uma escada lateral e externa e uma ambulância me esperava na pista do aeroporto, onde me ministraram os primeiros socorros para fazer baixar a pressão e fui levado a enfermaria do aeroporto para repouso e observação.
Estou em casa agora aguardando ........

03 novembro, 2009

PAGUEI PRÁ VER!!!!!

"É possível enganar algumas pessoas todo o tempo; é também possível enganar todas as pessoas por algum tempo; o que não é possível é enganar todas as pessoas todo o tempo” (Abraham Lincoln)

SOMBRAS

Nunca vais ter o que eu tive!
Nunca vais ter o que eu tenho!
Enquanto falavas ao telefone/
Eu te ouvia.

Mas os braços que pensas serem teus, me abraçavam/
A boca que tu beijas agora/
Meia hora antes/
Se enlouquecia na minha.

Enquanto ouço/
Amor da minha vida/
Que tens além de uma pele/
A jorrar suores de/
Sódio, Sódio, Sódio/
Que não te dizem nada a alma/

Olhos que me pedem por janeiro/
Almas que se querem por inteiro/
Mas que o medo/
De ver-se só/
Impede /
De deixar-te agora.

Não terás nunca os olhos cheios de lágrimas que choram por mim/
Não terás nunca o coração disparado de emoção em tocar-me/
Não terás a febre que me presenteia numa tarde e noite de chuva.

Horizonte sombrio/
Permanente/
Pulsando latente/
Numa vida carente/
Tú és e serás sempre/
O outro.

02 novembro, 2009

Flávio segundo Flávio

A vida tem momentos decisivos e
inadiáveis.

VIAGENS BIOGRÁFICAS

Em 1983 no mes de novembro estive em Lisboa pela segunda vez, estava fazendo um vôo para Zurique quando resolví descer e conhecer em Lisboa mais a fundo. Era uma época que se dizia primeiro ir a Portugal para em seguida ir a Europa. Hoje ir a Lisboa é uma experiência completamente diferente as mulheres de preto certamente se ainda existem são raríssimas de encontrar, onde falar português não significava necessáriamente compreender ao outro.
Mas ir a Lisboa hoje pode ser algo maravilhoso ou trágico. Se for uma viagem ao lado do amor da tua vida, uma viagem inesquecível certamente, mas se for outra a escolha, então apenas uma viagem a um destino que voce nunca apreciou tanto assim.

01 novembro, 2009

VIAGENS BIOGRÁFICAS

Há 29 anos atrás estava num DC10 da KLM, viajando do Rio de Janeiro à Amsterdã onde faria uma conexão dois das depois para Tel Aviv pela EL AL, viagem longa mas não era cansativa para um garoto de vinte anos de idade, numa época em que poucos brasileiros de classe média viajavam, estava eu alí sozinho, por conta própria imigrando para um novo país, um novo lar, uma nova vida.
No trecho Amsterdã-Tel Aviv, depois de passar por um longo interrogatório na hora do embarque (3 horas de antecedência ao vôo), tipo: quem é? para onde vai? porque vai? conhece alguém em Israel? deixou sua bagagem sem companhia durante algum momento? onde se hospedou em Amsterdã e etc. Já dentro do avião um BOEING 737 com separação entre primeira e classe econômica, me acomodei na minha poltrona na janela evidentemente pois queria ver da janelinha do avião o vôo sobre os Alpes, o Mediterrâneo e a chegada a Eretz Israel. Ao meu lado, na poltrona do corredor um rapaz de uns trinta e poucos anos com uma pequena valise preta, após a decolagem começo a puxar conversa com ele (hábito que perdí com o passar dos anos e as sucessivas pancadas que a gente leva dos humanos), disse-lhe que era judeu brasileiro, filho de um casamento mixto mas convertido, já que no judaísmo só é judeu por nascimento filhos de ventres judaicos, e que estava indo morar, estudar e fazer meu serviço militar em Eretz Israel, dizia-lhe isto com a felicidade e orgulho irradiando dos meus olhos, lembro-me de ter perguntado-lhe de onde era em Israel e ele me respondera que era de Hertzlya uma pequena cidade balneária ao norte de Tel Aviv e que concentra um grande número de residências de embaixadores estrangeiros servindo em Israel, foi quando disse-lhe que tinha uma amiga que havia conhecido no Brasil que morava em Hertzlya e que talvez a conhecesse e disse-lhe o nome -Rolly Paz- e aí para minha grande surpresa a minha primeira grande coincidência de tantas outras que vivenciaria em Israel, aquele rapaz ao meu lado que dizia ser negociante de diamantes em Antuérpia na Belgica, era o noivo da irmã da minha amiga Rolly Paz, rimos muito e continuamos conversando prazeirosamente até a chegada em Israel, que infelizmente se deu quando a luz do dia já  se dissipava e da minha janela,- não esqueço nunca -, via os tubos de plástico que cobriam as plantações no solo e as luzes amarelas das rodovias próximas ao aeroporto que começavam a se acender. Aterrissamos e para minha surpresa os passageiros aplaudiam o pouso tranquilo homenageando aqueles tripulantes que nos traziam em paz e tranquilidade ao solo de Eretz Israel
Um mes depois quando finalmente encontrei-me com Rolly Paz e meu amigo Menachen Muller no Kibutz Haogen, eles foram me visitar, soube por Rolly que ria desbragadamente, que eu era um dos passageiros mais seguros do avião, pois aquele rapaz que viajara ao meu lado, o noivo da irmã dela era um dos tres seguranças do avião e que naquela maletinha preta havia uma submetralhadora uzi e outros equipamentos de segurança.
Isso já é Biografia rsrsrsrs.