01 novembro, 2009

VIAGENS BIOGRÁFICAS

Há 29 anos atrás estava num DC10 da KLM, viajando do Rio de Janeiro à Amsterdã onde faria uma conexão dois das depois para Tel Aviv pela EL AL, viagem longa mas não era cansativa para um garoto de vinte anos de idade, numa época em que poucos brasileiros de classe média viajavam, estava eu alí sozinho, por conta própria imigrando para um novo país, um novo lar, uma nova vida.
No trecho Amsterdã-Tel Aviv, depois de passar por um longo interrogatório na hora do embarque (3 horas de antecedência ao vôo), tipo: quem é? para onde vai? porque vai? conhece alguém em Israel? deixou sua bagagem sem companhia durante algum momento? onde se hospedou em Amsterdã e etc. Já dentro do avião um BOEING 737 com separação entre primeira e classe econômica, me acomodei na minha poltrona na janela evidentemente pois queria ver da janelinha do avião o vôo sobre os Alpes, o Mediterrâneo e a chegada a Eretz Israel. Ao meu lado, na poltrona do corredor um rapaz de uns trinta e poucos anos com uma pequena valise preta, após a decolagem começo a puxar conversa com ele (hábito que perdí com o passar dos anos e as sucessivas pancadas que a gente leva dos humanos), disse-lhe que era judeu brasileiro, filho de um casamento mixto mas convertido, já que no judaísmo só é judeu por nascimento filhos de ventres judaicos, e que estava indo morar, estudar e fazer meu serviço militar em Eretz Israel, dizia-lhe isto com a felicidade e orgulho irradiando dos meus olhos, lembro-me de ter perguntado-lhe de onde era em Israel e ele me respondera que era de Hertzlya uma pequena cidade balneária ao norte de Tel Aviv e que concentra um grande número de residências de embaixadores estrangeiros servindo em Israel, foi quando disse-lhe que tinha uma amiga que havia conhecido no Brasil que morava em Hertzlya e que talvez a conhecesse e disse-lhe o nome -Rolly Paz- e aí para minha grande surpresa a minha primeira grande coincidência de tantas outras que vivenciaria em Israel, aquele rapaz ao meu lado que dizia ser negociante de diamantes em Antuérpia na Belgica, era o noivo da irmã da minha amiga Rolly Paz, rimos muito e continuamos conversando prazeirosamente até a chegada em Israel, que infelizmente se deu quando a luz do dia já  se dissipava e da minha janela,- não esqueço nunca -, via os tubos de plástico que cobriam as plantações no solo e as luzes amarelas das rodovias próximas ao aeroporto que começavam a se acender. Aterrissamos e para minha surpresa os passageiros aplaudiam o pouso tranquilo homenageando aqueles tripulantes que nos traziam em paz e tranquilidade ao solo de Eretz Israel
Um mes depois quando finalmente encontrei-me com Rolly Paz e meu amigo Menachen Muller no Kibutz Haogen, eles foram me visitar, soube por Rolly que ria desbragadamente, que eu era um dos passageiros mais seguros do avião, pois aquele rapaz que viajara ao meu lado, o noivo da irmã dela era um dos tres seguranças do avião e que naquela maletinha preta havia uma submetralhadora uzi e outros equipamentos de segurança.
Isso já é Biografia rsrsrsrs.

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