Nunca vais ter o que eu tive!
Nunca vais ter o que eu tenho!
Enquanto falavas ao telefone/
Eu te ouvia.
Mas os braços que pensas serem teus, me abraçavam/
A boca que tu beijas agora/
Meia hora antes/
Se enlouquecia na minha.
Enquanto ouço/
Amor da minha vida/
Que tens além de uma pele/
A jorrar suores de/
Sódio, Sódio, Sódio/
Que não te dizem nada a alma/
Olhos que me pedem por janeiro/
Almas que se querem por inteiro/
Mas que o medo/
De ver-se só/
Impede /
De deixar-te agora.
Não terás nunca os olhos cheios de lágrimas que choram por mim/
Não terás nunca o coração disparado de emoção em tocar-me/
Não terás a febre que me presenteia numa tarde e noite de chuva.
Horizonte sombrio/
Permanente/
Pulsando latente/
Numa vida carente/
Tú és e serás sempre/
O outro.
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