Saimos de Natal pela BR 406 em direção a Macau (noroeste do Rio Grande do Norte) em estrada asfaltada e para os padrões do Nordeste bastante razoável, voce vai cruzar com muitos caminhões tanques da Petrobrás pois essa região é produtora tanto em terra quanto no mar de petróleo e em Gramoré município limítrofe a Macau, tem um pólo indutrial petroquímico da PETROBRÁS, Em Gramoré saimos da BR e passamos a utilizar uma estrada estadual também asfaltada chamada de Estrada do Oléo, a essa altura já estavamos em pleno sertão e o verde cada vez mais escasso, é bom frisar que o eco-sistema da caatinga é fantástico, basta uma pequena chuva e tudo fica verde novamente. São quilometros e mais quilometros onde a presença dos cavalos mecânicos extratores de petróleo se juntam a paisagem seca e pedregosa dessa região.
Na cidade de Alto do Rodrigues atravessamos o Rio Assú em caminhos muito precários e de terra em pontes mais improvisadas ainda que pareciam mais diques do que pontes, o rio não é profundo nessa parte pois é represado há alguns quilometros rio abaixo próximo à cidade do Assú. Seguimos para a outra margem em outra rodovia mais precária mas também asfaltada até Porto do Rio já na Foz do Rio Assú, o lugar é sem graça mas a paisagem do Rio desembocando no mar é fantástica.
Daí em diante fomos em estrada de terra e areia beirando a praia, a praia mesmo!!!!!
Em alguns trechos dava medo de ficar atolado e não ter como sair dalí, é um deserto,- de gente e de areia-, mas conseguimos passar a faixa mais critica e seguimos pela estrada de piçarro vendo as esquerda as dunas cor de rosas e branca das Dunas do Rosado, um mini deserto belíssimo onde foi filmado o filme Maria... do padre Marcelo e a direita o marzão azul cheio de torres de petróleo no horizonte maritimo e aí chegamos ao vilarejo de pescadores da Praia da Ponta do Mel que já contava a época com uma pousada muito simpática localizada em uma fazenda a beira mar, de onde do alto deslumbravamos uma paisagem belissima de dunas pintadas por ilhas de coqueiros formando verdadeiros Oásis e o mar.
Eu, se estivesse sozinho teria batido em uma das portas daquelas casas de pescadores e pediria que me preparassem um bom e suculento prato de peixe a moda da praia, mas minha companhia infelismente não se dava a esses arroubos de praticidade que nos levam a descobertas muito interessantes, e como as choupanas de palha na praia que funcionam como bares só tinham cerveja resolvemos voltar à Ponta do Mel para comer algo, sem deixar de tomar uma cerveja estupidamente gelada evidentemente. A energia elétrica já chegou em todos os rincões do litoral potiguar. Isso foi há três anos atrás, hoje um conhecido me informou que embora ainda sem grande especulação imóbiliária as estradas de acesso a essas praias estão todas asfaltadas.
Um detalhe que ia esquecendo quando chegamos pela estrada que beira a praia em Ponta do Mel tem uma falésia muito bonita, avermelhada e no alto dela um farol de listras negras e brancas da marinha brasileira, o local me fez lembrar a Mesa da Cidade do Cabo na Africa do Sul. Quem puder vá conhecer essa região antes que os especuladores cheguem e transformem em mais uma favela a beira mar.
Um comentário:
Uma pena que não parou na casa de um pescador e pediu para que fizessem um ótimo e artesanal peixe daquele jeito que somente eles seriam capazes de servir.
O texto é tão rico de detalhes que parece que viagei com você pelo litoral potiguar.
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