14 abril, 2010

EYAL

Hoje tive uma tarde muito agradavel, fui ao aeroporto buscar Eyal que ficaria apenas um par de horas em Natal.
Saí do aeroporto passei por Ponta Negra, respeitando sempre os 80km que a Polícia Rodoviária me impõe senão multa e pontos na carteira, mas como era um passeio sem pressa não me estressei, descí até a praia e depois seguimos rumo a nova via costeira que está bem mais bonita apesar das reclamações de alguns provincianos jornalistas locais que adoram passar-se por cosmopolitas mas não escondem as origens campesinas muito ligadas ao pastoreio de peidadores de grama. Bem, voltando a Via Costeira, ela está linda e cheia de curvas, lascivas e sensuais dá até vontade de parar e ficar não só observando o verde limpido do mar mas de fazer algo mais ... bem deixa prá lá é de tarde e a luz do dia não permite tais tergiversações.
Finda a Costeira e nos aparece aquele paredão de luxo construído apenas para esconder as vergonhas natalenses, já houve uma época que a Mãe Luíza já foi poesia hoje se muito vão deixar aquele farol fálico aparecendo e olha lá se não resolverem por um imenso outdoor na frente com os dizeres GOVERNO DE TODOS, todos eles apenas, eu tô fora disso!
O mar estava revolto um pouco parecido com o motorista por esses dias, mas a tarde continuava linda e Eyal me agradecia em hebraico evidentemente aquele passeio cool, chegamos onde Natal havia iniciado e subsistido por tantos séculos até se transformar nessa beldade cheia de rimel, bluche (será que é assim que se escreve, afinal não sou bom em cosmética) e batom, era na nossa frente, branquinha mas cheia de manchas solares a Fortaleza dos Reis Magos aquela mesma onde séculos atrás estrupiaram o pobre do Jaguararí, mas como aqui não se tem memória e a Fortaleza tá vazia demos volta e meia e subimos a nossa Golden Gate e seguindo para o Norte, para a pobreza, para as ruas mais sujas, mais feias e subnutridas de Natal.
Natal que já chamei uma vez de Lucélia Santos - bonitinha mas ordinária - é como uma mulher belíssima cheia de curvas deliciosas mas com pernas finas e tortas. SUL e NORTE, não demorou muito Eyal suplicava em hebraico claro - por favor retornemos ao outro lado -, não havia como negar-lhe afinal o passeio não poderia tornar-se uma sessão de tortura visual.
Na volta Petropolis e Tirol que delícia, ruas largas razoavelmente arborizadas graças aquele prefeito brasileiro/canadense do ínicio do século XX que tivera a única e brilhante idéia surgida em cem anos nessas plagas e que resultou nessa cidade quase perfeita, e que a encheu de Ficus Benjaminus, hoje para nossa tristeza o desgoverno verde da cidade não planta arvores e ainda quer suprimir algumas das mais belas Algarobas de Natal. Mas estava chegando a hora de finalizar o passeio e deixar Eyal na bela rodoviária de Natal, uma pérola da arquitetura modernista, devia ser derrubada digo tombada,para seguir de onibus até o paraíso perdido, perdido mesmo! da Praia da Pipa.
Depois pegando um arremedo de congestionamento (ainda bem) voltei para casa.

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