19 setembro, 2009

ORIENTE MÈDIO

Alguns anos atrás escreví um artigo que nunca chegou a ser publicado, tentei fazê-lo junto ao Globo mas nunca obtive resposta, enfim  acabei esquecendo-o nas páginas de um caderno que ora abro e redescubro-o. Coincidentemente o assunto continua atual, então pensei porque não publicá-lo no meu blog fazendo as complementações e atualizações necessárias? E aí...mãos a obra!

A imprensa mundial e obviamente a brasileira, que não foge a regra, tem afirmado de maneira seguida o grande desinteresse do governo americano (o anterior/BUSH) pelo que ora se sucede no Oriente Médio diga-se a crise Israelo-Palestinense -.
Isso certamente não é verdade, após o 11 de setembro a política externa americana centrou-se exclusivamente no combate ao terrorismo como se esta fosse a única mercadoria exposta nas gondolas dos supermercados mundiais. Dentro desse contexto a política e posição norte-americanas no conflito não poderia ser diferente. Os americanos ensaiaram inicialmente esse grande desinteresse pela problemática israelo-palestinense (como estratégia), enquanto isso as tropas israelenses invadiam os bolsões autonômos Palestinos, na Judéia e Samaria ( os antigos nomes hebreus para a hoje Cisjordânia e futura Palestina árábe), para fazer o que Arafat não quisera ou não pudera fazer, ou seja assumir de fato o papel de chefe da Autoridade Palestina. Escolhido por seu povo para administrar o processo de implantação do futuro estado e evidentemente o processo de paz até a criação oficial do terceiro estado Palestino do Oriente Médio (Israel e Jordânia são os outros dois Estados Palestinos previstos na divisão da palestina desde 1917, quando o Império Otomano se desintegrou e a Inglaterra passou a deter o mandato sobre a Palestina), entretanto Arafat tornara-se refém dos radicais Palestinos de esquerda e dos fundamentalistas islâmicos que não admitem até hoje a existência do Estado Palestino judaico - Israel -. Refém dos radicais e sem oferecer aos moderados qualquer horizonte sobre as diversas questões que afligiam a sociedade Palestina do terceiro Estado, optou o próprio também pela radicalização e isso foi o o que se diz no popular "cutucar onça com vara curta" e o resultado não tardou a ser observado.
Os americanos fizeram exatamente o que sua política externa desenhava, ou seja, fazer de conta que Israel se excedia na resposta aos ataques terroristas que vitimavam sua população, mas dava tempo para que a Política de Ariel Sharon tivesse o tempo necessário para desmontar a rede de terror Palestina montada nos territórios autonômos. Isso foi feito, continua sendo feito e não tenham dúvida continuará sendo feito enquanto houver riscos para Israel, afinal nenhuma sociedade politicamente organizada no planeta aceita ser alvo constante de atentados terroristas como tem sido a sociedade israelense. A elite palestina mais uma vez jogou a carta errada e o resultado como sempre foi mais sofrimento para o povo que por sua vez alimenta um circulo vicioso perpetuando um sentimento de ódio e de insolubilidade do conflito
A solução dos três Estados ao meu ver é a única capaz de por um ponto final a essa chaga, O estado Israelense republicano democrático, o Reino Hachemita da Jordânia e o Palestino (Cisjordãnia/Gaza). Para isso é fundamental que Israel desmonte suas colonias dos territórios ora ocupados, que as elites controlem seus radicais palestinos e israelenses, que se indenizem todos aqueles cidadãos que tiveram perdas nas guerras desde 1948, que se crie um extenso programa de pacificação entre as pessoas nas escolas, nos centros sociais etc, que o terceiro estado seja desmilitarizado e tenha suas fronteiras controladas pelas forças conjuntas dos tres estados e talvez forças multilaterais na fase inicial para evitar a infiltração de terroristas radicais e armas, investimentos maciços no terceiro Estado para acabar com a miséria, fonte de terror e ser talvez o ínicio de um MERCOMEDIO - união aduaneira - sonho de Shimon Peres.
A questão "Jerusalém" poderia ser abordada de uma maneira diferente, quem conhece a região sabe que Jerusalém hoje é uma cidade de 700.000 habitantes portanto com uma área bem maior do que  em 1948, porque não continuar o crescimento da cidade dentro da área arábe prevista na divisão territorial e continuar a chamá-la de Jerusalém até porque as áreas e sítios religiosos mulçumanos localizados na parte antiga da cidade e hoje território israelense, já são de fato administrados pelas autoridades religiosas palestinas e grande parte da população arábe de Jerusalém tem cidadania israelense, acordos de livre transito em Jerusalém não seria díficil de ser alcançado, um pouco de pragmatismo e boa vontade das partes conflitantes resolveria muita coisa.
Quanto aos americanos, a crise israelo-palestinense lembra-me bem, a crise da Espanha antes da segunda guerra mundial, onde os alemães experimentaram as novas armas de combate como ensaio à segunda guerra mundial, parece claro que esse conflito é um verdaeiro ensaio a guerra que se aproxima, essa sim perigosíssima pois envolve o risco de mundialização, que será a guerra contra o Iraque e a deposição de Saddam Hussein, que convenhamos se o pai tivesse feito o serviço completo nos anos 80 não estaríamos a ver tamanho risco de um conflito na proporção que se desenha.
Esse novo conflito sem dúvidas traria repercussões a todo o Oriente Médio, principalmente na Síria, no Líbano, no Irã e certamente em Israel, daí a pressa em resolver a questão do terceiro Estado Palestino.  
Decorridos alguns anos, hoje ao voltar a escrever sobre o assunto que continua extremamente atual, a guerra do Iraque e a deposição de saddam Hussein já são parte da História, apesar da ocupação militar no Iraque continuar, do problema Israel-Palestina persistir, muito aconteceu modificando cenários e atores:
Arafat morreu ou foi assassinado, os Palestinos tiveram sua guerra civil e constituem dois territórios separados (Gaza e Cisjordânia), os israelenses já promoveram duas outras guerras, uma no Líbano contra o Hizballah e outra em Gaza contra os fundamentalistas do Hamas, a situação de pobreza, desemprego e outras mazelas  que aflige o povo palestino persistem, a apreensão dos israelenses de quando será o próximo ataque as suas cidades uma constante, mas temos um outro gravissimo problema a ser administrado que é a Nuclerização do programa militar iraniano, aí um problema não só israelense mas também americano e europeu, quiça planetário pois o Iran desenvolve tecnologia para misseis de longo alcance em parceria com a Coréia do Norte e ao que parece também a Rússia,  e suspeitas e evidencias de que tentam fabricar artefatos nucleares, mas isso é um assunto para o próximo texto.

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