25 maio, 2010

UM VELHO VAQUEIRO

Estava um dia desses nas terras secas e pedregosas do Seridó na época das árvores enegrecidas sem as folhas verdes que as primeiras gotas de chuva fazem renascer milagrosamente. A fazenda da minha amiga Elizabeth é um paraíso onde o barulho que o silêncio faz é a mais doce de todas as musicas já ouvidas e alí deitado numa maravilhosa rede que chorava o rangido de ferro a cada balançada, ouvíamos o  Franklin ao violão tocar e cantar madrugada adentro e alí do nosso lado, um velho vaqueiro morador da Fazenda que ouvindo a musica e bebendo seus goles da branquinha cachaça que lhe descia garganta abaixo sem careta alguma, quando de repente não mais que um segundo o homem diz: "Doutores não tem coisa mais feia do que homem de voz fina"!
Sem saber a quem ou ao que o vaqueiro divagara, eu morri de rir lembrando-me de certa voz que ouvira em um  telefone que não era meu e aí pensei realmente o homem tá certo não é bonito não. Mas isso é  estética.

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