O trauma do Cisma, ou seja a separação do Reino de Israel em duas entidades estatais uma ao norte Israel e outra ao sul Judá é emblemático e talvez seja o fato histórico mais importante de toda a história hebréia que viria a marcar as gerações de judeus pelos milênios seguintes.
Quando as dez tribos do Reino de Israel, o reino do norte foi conquistado pelos Assírios e toda sua população, que já era sensível a assimilação e influência da religião politeísta fenícia de Baal, foi maciçamente transferida para outras regiões do Império Assírio onde desapareceu por assimilação. Casou pânico no sul, no reino remanescente de Judá e onde viviam as tribos de Judá e Benjamim, que temiam mais que qualquer outra coisa a possibilidade de serem conquistados e de desaparecerem enquanto sociedade organizada, isto certamente marcou profundamente aquela geração e levou-os a criarem fortes mecanismos preventivos e como isso se deu? Pelo fortalecimento da Ortodoxia e dogmatização da religião, por um severo e estrito respeito e obediência das normas sociais, culturais e religiosas que prepararam o povo do sul para o desastre que se aproximava.
Não eram mais os Assírios mas seus conquistadores os Babilônios que representavam o perigo para aquele pequeno reino espremido entre as potências da época.
A conquista de Judá e o exôdo forçado para a Babilônia de toda a família real judaica, da elite religiosa, comercial e uma considerável parcela dos Am ha Eretz ( camponeses e a gente simples) quase despovoaram a Judéia dos seus habitantes originais os judeus e os benjaminitas. O longo exílio na Babilônia e posteriormente na Pérsia que conquistara o Império Babilônio, tornou os sacerdotes líderes e condutores do povo bem como os fiscais reguladores das severas normas de controle social dos exilados o que de fato tornou possível a coesão do tecido nacional judaíco.
Com a ascenção de Ciro os judeus são incentivados a retornarem a Judá e reconstituírem alí seu Estado Nacional, naturalmente um Estado Vassalo do Império Persa.
Do retorno da Persia à Jesus o que caracterizou a história dos Judeus foi o crescente papel da religião no Estado, não que isso fosse uma novidade afinal a Monarquia judaica desde seu surgimento sempre representou uma teócracia, ora mais forte ora mais débil mas isso sempre foi uma realidade histórica.
Após as vitórias de Alexandre e a formação do vasto império Helênico e sua posterior divisão entre os generais de Alexandre o reino de Judá orbitou entre as influências dos Ptolomeus no Egito ou dos Selêucidas na Siria. A incompatibilidade histórica entre gregos e judeus fomentada pelas diferenças religiosas e pela maneira distinta que os dois povos tinham em ver o mundo, a invasão do Templo em Jerusalém por gregos Selêucidas levaram as elites judaicas a dois caminhos intrinsicamente ligados, a rebelião dos Macabeus que culminou na expulsão dos gregos de Judá e na entrada dos Romanos no cenário como potência emergente e aliada dos judeus na guerra contra os gregos e a um processo de radicalização religiosa que culminou na aceleração das grandes transformações na antiga religião judaica. O surgimento de ínumeras seitas e grupos religiosos ( Fariseus, Saduceus e Essênios e obviamente após o surgimento de Jesus no cenário público e nacional, o grupo de seus seguidores, que após sua morte e ressurreição deram origem a Igreja de Jerusalém)cujas diferenças excetuando o grupo de Jesus, eram essencialmente aquelas ligadas as normas e rituais de pureza religiosa marcavam o período em que Jesus nasceu e viveu.
Jesus era judeu por nascimento, por educação, pela prática religião judaíca, afinal era um Rabi. O que levou então o judaísmo posterior ao século I da era cristã a não reconhecê-lo com o papel histórico que a dissidência judaica e o mundo greco-romano lhe reservaram ?
-texto não concluído-.
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