02 julho, 2011

2000

 Novembro de 2000, final de primavera mas já com cara de verão na cidade do Rio de Janeiro, terminava meu mestrado e corria para que antes do ínicio da noite pudesse terminar meu trabalho, tinha que correr, tomar banho e aprontar-me para um encontro, mas tudo deu errado, o tempo não foi suficiente e quando terminei o trabalho ainda sem estar pronto o interfone tocou mudando meus planos.
Lá fora caia torrencialmente uma chuva de verão daquelas que lavam a alma do Rio de Janeiro, não me sobrou alternativa e autorizo a sua subida.
Abri a porta e faço-te entrar, a primeira impressão, apesar da beleza geral e daquele par de olhos azuis que me encantaram desde o primeiro olhar, não foi das melhores, o queixo desproporcional ao rosto e os lábios um tanto retos me tiravam um pouco do meu estético, mas educadamente fui administrando aquela estranha situação. Preparei um café e fiz uma exposição do meu trabalho e daquela montanha de material de pesquisa que se espalhava sobre minha mesa, era minha maneira de ir estudando  e medindo o que acontecia.
A eletricidade infestava a atmosfera daquele pequeno espaço e então peço licença e vou banhar-me, poucos minutos depois quando saia do banho ainda envolto na toalha percebo que o clima era inevitavelmente convidativo ao sexo e como estava só com a toalha me cobrindo o corpo, não foi difícil e demorado para que as coisas começacem a acontecer. O calor era insuportavel e sem arcondicionado aquilo tudo era um horror, nossa primeira vez prometia ser a última mas inexplicavelmente durou sete anos e meio, sem contar os anos das maldades. Tomamos banho e acompanhei-te até a rua onde nos despedimos, até aquele instante parecia que não nos veriamos mais, mas aí tudo mudou, conversamos alguns minutos na porta do carro e trocamos nossos telefones. Naquela noite demorei a dormir, o sexo foi horrível, mas o depois foi sem explicação.

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