02 julho, 2011

RIO DE JANEIRO

Sabe aquela sensação que se sente quando está visitando um lugar pela primeira vez na vida, e gravamos na mente todas as percepções observadas, cheiradas, sentidas e ouvidas, pois é pra mim, é uma das coisas mais especiais que nós humanos possuimos, mas o estranho é que embora possamos nos recordar por toda uma vida dessas sensações inesquecíveis e que nos marcam a memória, também temos a capacidade, inexplicavel é verdade, de tudo banalizar até perdermos totalmente esse jeito de sentir quando passamos repetidamente a ver e frequentar esse mesmo lugar que tanto impressionou uma primeira vez.
O Rio é lindo, -pelo menos a zona sul , centro e grande parte da oeste-, mas ando por toda a cidade e já não sinto mais nada de especial e revoltado comigo mesmo resolví tentar mudar isso, mas como?
Fiquei imaginando ainda em casa como deveria centrar meu olhar sobre a cidade viva, seus cheiros, a sua gente, seus barulhos, sua atmosfera e tentar perceber a tudo com a alma ou mais ou menos como se estivesse vendo a um filme onde o ator fosse eu próprio e o cenário a cidade, e assim então resolví passar meu sábado, em vez da indiferença de andar pelas ruas sem absorvê-la, andei pela Bulhões de Carvalho em direção ao parque garota de Ipanema e a orla do Arpoador e de Ipanema, mochila nas costas com a fotografica quase pronta, livro para ler numa eventual paradinha, saí olando para os prédios e sua arquitetura por onde passava, olhava as pessoas, como elas andavam e gesticulavam, seus cães, transito, árvores etc.
O dia estava estranho coberto pela névoa de inverno mas com calor de quase verão, do Arpoador até o final de Ipanema, o vai e vém das pessoas caminhando, correndo, pedalando bicicletas, deslizando em skates e patinetes, falando de suas vidas, de seus trabalhos, de seus amores, de suas brigas e insatisfações isso do lado esquerdo do direito a praia e os jogadores de futivolei, volei, banhistas, vendedores de cangas e outros ambulantes e claro as pessoas sentadas bebericando suas bebidas nos quiosques a moda antiga ainda presentes em Ipanema, é... me fazia sentir as caminhadas que fazia aos sábados na Allenby e na Shenkin em Tel Aviv. Dei uma parada no retorno ao Arpoador para fotografar um casal de noivos que entravam para banhar-se no mar vestidos ainda a rigor, aí descobri que se tratava da ultima mania dos cariocas (essas manias nunca nascem da mente criativa e espontânea das ruas mas sempre da cabecinha de meia dúzia de indutores sociais que tem acesso a midia escrita do Rio), é o Rio nesse sentido é muito caipira e provinciano, uma revistinha de final de semana de jornal de grande circulação é o maior indutor de comportamentos e manias sem graça do Rio. Continuo minha caminhada em direção a Copacabana quando me deparo na Francisco Otaviano com o informal, um botequim com pretensão a pé sujo mas que passa longe disso, o lugar é charmoso e estratégico e alí sentado observando a cidade e bebendo um chope e depois outros sou observado por dois conhecidos que não tinham como deixar de parar e me cumprimentar, digo "não tinham como" exclusivamenyte por uma ótica alheia a minha, Jarbas e Charles me vêem, param me cumprimentam e sentam-se para uma ligeira conversa de trinta minutos como se nada tivesse acontecido, aí penso Deus quanta falta de compromisso com o outro, mas pra mim isso é irrelevante hoje, entabulamos uma conversa amigavel e simpática mas superficial certamente e aí foram embora. O lugar é ótimo para um chope e vou elegê-lo como preferencial, esse é o lado que me encanta no Rio, o do despojamento!
Acabei ficando alí sentado um par de horas lendo o livro do El Baradei e comendo um bife a milanesa. grande sábado, cumprido os objetivos da expedição voltei pra casa para um descanso.
A noite depois do Jornal Nacional com preguiça fui até o Zona Sul da General Osório comer uma Pizza, pra mim a melhor e mais barata do Rio de Janeiro acompanhado de uma demi boutelle de Carmenère chilena, ao lado da minha mesa duas balzaquianas uma delas me paquerando o tempo todo mas percebí que acompanhada da amiga não ia rolar nada, mas  não nego foi uma delícia o jeito dela me olhar.Toca o telefone Nel de Israel surpresa bacana seguida de 20 minutos de bate papo em hebraico a balzaca não entendeu nada.

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