Terça-feira passada acordei e resolvi voltar ao passado, 29 anos atrás mais precisamente. Fui até Netania que é a minha escolhida para viver aqui e de lá fui ao Kibutz Haogen, passando por todas aquelas kfarim que no passado passeei de bicicleta, é como se deslocar até o Eden descrito na Biblia, é um contínuo jardim de uma beleza indescritível e aí pensei porque não em vez de Netania uma dessas kfarim que ficam não mais que dez quilometros de Netania... a pensar. Cheguei no Kibutz e sai caminhando pelas veredas por entre os jardins do kibutz, passei pelo Heder ha Ochel, por onde íamos todos os dias fazer as refeições e as vezes também trabalhar, hoje o prédio enorme e bonito continua bonito e moderno, apesar do tempo mas está fechado e não mais funciona como cozinha e refeitório, as salas adjacentes são escritórios alugados a particulares, sim é verdade para tristeza geral os Kibutzim acabaram em Israel, os sucessivos governos de direita pararam de subsidiá-los e eles faliram e foram sucessivamente sendo privatizados e o sonho que durou décadas e que ajudaram a construir o sonho de uma nação judaica morreu, é muito triste, e a propriedade das casas sequer ficou para aqueles que o construiram ao longo de gerações, estes jardins de beleza e de ideal ficaram para o Estado, aqui as terras pertecem ao Estado que as vende a particulares.
Continuando a minha visita a Haogen passei pelos prédios onde funcionavam os nossos dormitórios e a escola de hebraico, hoje alugados a moradores de fora bem como aos kibutzniks que continuaram morando em Haogen mas todos obviamente pagam aluguel ao Estado ( injustiça), pouco se produz de agricultura, a fábrica permanece funcionando com empregados contratados de fora. Mas tudo continua bonito como era. Passei por um kibutznik de idade já bem avançada e perguntei-lhe sobre o professor de hebraico Yaakov e ele me informou que Yaakov Guterman continuava no kibutz e morava a poucos metros de onde nos encontravamos, despedí-me agradecendo-lhe a informação e fui até a casa do morê, apertei a campanhia e ouço o professor perguntar quem era, aí disse-he Morê Yaakov fui seu aluno quase trinta anos atrás e em hebraico me convidou a entrar na sua casa para um café, me apresentou sua esposa que já não me lembrava mais, mas o professor envelhecido evidentemente ainda mantinha a mesma fisionomia de anos atrás.
Me perguntou se nesses anos todos falara hebraico pois falava muito bem e aí dei uma puxada de saco e disse-lhe que não que o hebraico que falava havia aprendido com ele trinta anos antes, e enquanto bebiamos o café me dizia das transformações pela qual passara o país umas muito boas outras nem tanto, me falara sobre as pessoas do kibutz, muitos evidentemente morreram mas me falou de Miriam a nossa metapelet que continuava viva já com 92 anos de idade, não deu tempo de ir visiá-la e ela evidentemente não me reconheceria ou se lembraria, falamos sobre o Brasil, os israelenses além de adorar o Brasil querem sempre saber sobre o país, a politica, a economia etc, para eles o Brasil é um país grande e poderoso, infelizmente o atual govêrno é pró-arábe. A conversa prosseguiu mas o tempo corria e a hora de voltar para Holon chegava, fizemos uma foto de lembrança e partí. 30 anos de lembranças que voltaram a viver em poucas horas, Evelyn Levy, Marco Bloch, Michelle, Corine, Alexander, David, Pablo e tantos outros.
17 outubro, 2010
08 outubro, 2010
DISCUSSÕES
ESTAVA LENDO, O BLOG DO NOBLAT NO GLOBO DE HOJE, UM ARTIGO DE UMA JORNALISTA PROVAVELMENTE AMIGA DELE E MORADORA DE PARIS, ELA SEMPRE PUBLICA NOTÍCIAS DO DIA A DIA DOS PARISIENSES SEGUNDO O SEU OLHAR, E O DE HOJE FOI SOBRE COMO OS FRANCESES, DIGO OS PARISIENSES (POIS MORA E COMENTA SOBRE PARIS E SEUS HABITANTES) TRAVAM AS SUAS BANAIS E EDUCADAS DISCUSSÕES, O QUE ME DEU VONTADE DE ESCREVER SOBRE AS DAQUI, QUE SÃO DRAMÁTICAS, TERRÍVEIS E AO FINAL ENGRAÇADAS.
FICO IMAGINANDO O QUE DEVE PENSAR UMA PESSOA QUE NÃO FALA NEM ENTENDE HEBRAICO, AO VER E OUVIR UMA DISCUSSÃO ENTRE MARIDO E MULHER, OU ENTRE DUAS MULHERES OU ENTRE DOIS HOMENS AQUI NAS RUAS DE ISRAEL, POIS A LÍNGUA POR SER MUITO IMPERATIVA E OS SONS GUTURAIS, AJUDAM A PARECER QUE O MUNDO ESTÁ DESABANDO.
PARA QUEM ENTENDE TAMBÉM É MAIS OU MENOS A MESMA COISA, JÁ QUE AS DISCUSSÕES SÃO PESADÍSSIMAS, EMBORA NUNCA CHEGUEM AS VIAS DE FATO, POIS AÍ VIRA CASO DE POLÍCIA. ELES BRIGAM, ALTERAM AS VOZES, PARECE QUE VÃO SE TAPEAR E DEPOIS SE CANSAM, SE CALAM VOLTAM A CONVERSAR CIVILIZADAMENTE COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO E A PLATÉIA QUE TAMBÉM É ISRAELENSE NEM LIGA, OS FORASTEIROS FICAM DE BOCA ABERTA TENTANDO IMAGINAR O QUE HOUVE E A QUE CONCLUSÃO CHEGARAM PARA ASSIM TÃO REPENTINAMENTE COMO COMEÇARAM A DISCUSSÃO ELES A TERMINAM, PARECE ATÉ FILME FRANCÊS CUJO FINAL NEM SEMPRE TEM A VER COM O ROTEIRO DESENVOLVIDO.
ONTEM EU V´UM CASAL DE MEIA IDADE NUMA DESSAS DISCUSSÕES PESADAS, NÃO DEU PARA ACOMPANHAR E SABER TUDO POIS ESTAVAM TAMBÉM CAMINHANDO E DISCUTINDO AOS BERROS SEM SE PREOCUPAR COM OS OUVINTES E ELE GRITAVA " CHEGA PÁRA, VOCE É INSUPORTÁVEL! NÃO AGUENTO MAIS ESSA CHATICE E ELE RESPONDIA VÁ A MERDA"! AO PASSARMOS O VIADUTO DA ESTAÇÃO DE TREM DA HAGANA ESTAVAM FALANDO BAIXINHO E NOVAMENTE EM PAZ.
AQUI AO CONTRÁRIO DO BRASIL A VIOLÊNCIA URBANA É QUASE INEXISTENTE, SE CAMINHA PELAS RUAS A QUALQUER HORA DO DIA E DA NOITE SEM TER QUE OLHAR PARA TRÁS OU COM MEDO DE QUE TE ASSALTEM E NÃO HÁ OLHARES SUSPEITOSOS PARA O OUTRO COMO AÍ NO BRASIL, TAMBÉM NÃO HÁ ASSASSINATOS DO TIPO QUE OCORRE NOS ESTADOS UNIDOS OU SERIAL KILLERS E OLHA QUE GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO VIVE ARMADA E ANDA COM OS FUZIS E METRALHADORAS NA RUA E NADA ACONTECE FELIZMENTE, O QUE LEVA A SE PERGUNTAR QUAL A CAUSA DO PROBLEMA DA VIOLÊNCIA NOS EUA E NO BRASIL? CERTAMENTE NÃO ESTÁ NO USO DE ARMAS MAS EM QUEM AS USA E QUE TIPO DE INTENÇÃO ESSES INDIVÍDUOS DESENVOLVEM POIS AQUI UMA PARCELA IMENSA DA POPULAÇÃO VIVE E ANDA ARMADA NAS RUAS, NOS TRANSPORTES PÚBLICOS E SEQUER DISPAROS ACIDENTAIS OCORREM.
A VIOLÊNCIA AQUI É OUTRA E CERTAMENTE TAMBÉM COMPLICADA.
DEVE HAVER EVIDENTEMENTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ESPECIALMENTE ENTRE OS IMIGRANTES RUSSOS QUE SÃO NOTADAMENTE OS MAIS DÍFICEIS EM ISRAEL, MAS ESTÁ LOCALIZADA DENTRE O QUE OS CRIMINÓLOGOS CHAMAM DE CIFRA NEGRA, ELA NÃO APARECE NAS ESTATÍSTICAS, OS JUDEUS RUSSOS CONSTITUEM UMA COMUNIDADE FECHADA E COESA E IMPUSERAM O IDIOMA RUSSO EM ISRAEL, AQUI SE FALA, LÊ E ESCREVE RUSSO POR TODA A PARTE, ATÉ EU UM BRASILEIRO QUE POR CULPA DO SOTAQUE SOU CONFUNDIDO COMO RUSSO, POIS É! EXISTEM RUSSOS MORENOS TAMBÉM.
FICO IMAGINANDO O QUE DEVE PENSAR UMA PESSOA QUE NÃO FALA NEM ENTENDE HEBRAICO, AO VER E OUVIR UMA DISCUSSÃO ENTRE MARIDO E MULHER, OU ENTRE DUAS MULHERES OU ENTRE DOIS HOMENS AQUI NAS RUAS DE ISRAEL, POIS A LÍNGUA POR SER MUITO IMPERATIVA E OS SONS GUTURAIS, AJUDAM A PARECER QUE O MUNDO ESTÁ DESABANDO.
PARA QUEM ENTENDE TAMBÉM É MAIS OU MENOS A MESMA COISA, JÁ QUE AS DISCUSSÕES SÃO PESADÍSSIMAS, EMBORA NUNCA CHEGUEM AS VIAS DE FATO, POIS AÍ VIRA CASO DE POLÍCIA. ELES BRIGAM, ALTERAM AS VOZES, PARECE QUE VÃO SE TAPEAR E DEPOIS SE CANSAM, SE CALAM VOLTAM A CONVERSAR CIVILIZADAMENTE COMO SE NADA TIVESSE ACONTECIDO E A PLATÉIA QUE TAMBÉM É ISRAELENSE NEM LIGA, OS FORASTEIROS FICAM DE BOCA ABERTA TENTANDO IMAGINAR O QUE HOUVE E A QUE CONCLUSÃO CHEGARAM PARA ASSIM TÃO REPENTINAMENTE COMO COMEÇARAM A DISCUSSÃO ELES A TERMINAM, PARECE ATÉ FILME FRANCÊS CUJO FINAL NEM SEMPRE TEM A VER COM O ROTEIRO DESENVOLVIDO.
ONTEM EU V´UM CASAL DE MEIA IDADE NUMA DESSAS DISCUSSÕES PESADAS, NÃO DEU PARA ACOMPANHAR E SABER TUDO POIS ESTAVAM TAMBÉM CAMINHANDO E DISCUTINDO AOS BERROS SEM SE PREOCUPAR COM OS OUVINTES E ELE GRITAVA " CHEGA PÁRA, VOCE É INSUPORTÁVEL! NÃO AGUENTO MAIS ESSA CHATICE E ELE RESPONDIA VÁ A MERDA"! AO PASSARMOS O VIADUTO DA ESTAÇÃO DE TREM DA HAGANA ESTAVAM FALANDO BAIXINHO E NOVAMENTE EM PAZ.
AQUI AO CONTRÁRIO DO BRASIL A VIOLÊNCIA URBANA É QUASE INEXISTENTE, SE CAMINHA PELAS RUAS A QUALQUER HORA DO DIA E DA NOITE SEM TER QUE OLHAR PARA TRÁS OU COM MEDO DE QUE TE ASSALTEM E NÃO HÁ OLHARES SUSPEITOSOS PARA O OUTRO COMO AÍ NO BRASIL, TAMBÉM NÃO HÁ ASSASSINATOS DO TIPO QUE OCORRE NOS ESTADOS UNIDOS OU SERIAL KILLERS E OLHA QUE GRANDE PARTE DA POPULAÇÃO VIVE ARMADA E ANDA COM OS FUZIS E METRALHADORAS NA RUA E NADA ACONTECE FELIZMENTE, O QUE LEVA A SE PERGUNTAR QUAL A CAUSA DO PROBLEMA DA VIOLÊNCIA NOS EUA E NO BRASIL? CERTAMENTE NÃO ESTÁ NO USO DE ARMAS MAS EM QUEM AS USA E QUE TIPO DE INTENÇÃO ESSES INDIVÍDUOS DESENVOLVEM POIS AQUI UMA PARCELA IMENSA DA POPULAÇÃO VIVE E ANDA ARMADA NAS RUAS, NOS TRANSPORTES PÚBLICOS E SEQUER DISPAROS ACIDENTAIS OCORREM.
A VIOLÊNCIA AQUI É OUTRA E CERTAMENTE TAMBÉM COMPLICADA.
DEVE HAVER EVIDENTEMENTE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA ESPECIALMENTE ENTRE OS IMIGRANTES RUSSOS QUE SÃO NOTADAMENTE OS MAIS DÍFICEIS EM ISRAEL, MAS ESTÁ LOCALIZADA DENTRE O QUE OS CRIMINÓLOGOS CHAMAM DE CIFRA NEGRA, ELA NÃO APARECE NAS ESTATÍSTICAS, OS JUDEUS RUSSOS CONSTITUEM UMA COMUNIDADE FECHADA E COESA E IMPUSERAM O IDIOMA RUSSO EM ISRAEL, AQUI SE FALA, LÊ E ESCREVE RUSSO POR TODA A PARTE, ATÉ EU UM BRASILEIRO QUE POR CULPA DO SOTAQUE SOU CONFUNDIDO COMO RUSSO, POIS É! EXISTEM RUSSOS MORENOS TAMBÉM.
STAIV
Hoje sexta-feira e final de semana aqui cairam as primeiras chuvas de outono, já não faz calor a luz do sol mudou, agora é suave e acaricia a pele do corpo em vez de queimar como no verão, já se caminha sem ficar suado e o cheiro da terra e das plantas é deslumbrante. Foram cinco meses de calor fustigante acompanhado de uma umidade carioca e estranho porque sem chuva, não chove um único dia de verão aqui ao contrário do verão do sul e sudeste do Brasil.
Decidí muita coisa que estava pendente nesses últimos anos da minha vida, perdido com as pancadas que ela me reservou mas ao fim tudo segue e continua essa foi a mais importante lição, mas outras me bateram a porta mas não vou ficar aqui falando muito pois infelizmente tenho leitores que não precisam saber muito mais da minha vida.
A fotografia me sorrí e a mão é boa mesmo com uma simples maquineta, devo comprar em novembro uma profissional pra corrida que se segue e assim vai ser inverno cá, inverno lá!
Decidí muita coisa que estava pendente nesses últimos anos da minha vida, perdido com as pancadas que ela me reservou mas ao fim tudo segue e continua essa foi a mais importante lição, mas outras me bateram a porta mas não vou ficar aqui falando muito pois infelizmente tenho leitores que não precisam saber muito mais da minha vida.
A fotografia me sorrí e a mão é boa mesmo com uma simples maquineta, devo comprar em novembro uma profissional pra corrida que se segue e assim vai ser inverno cá, inverno lá!
DAROM
Quarta-feira de noite peguei o trem e parti para o sul, uma hora e meia de viagem até a capital do Negev - BeerSheva - onde vivi por quase dois anos.
No deserto a primeira respirada outonal, aqui de verdade se sente mais rapido quando as estações mudam e a noite já faz um pouco de frio. Beersheva lembra de certa maneira um pouco Brasilia, não nos prédios iguais mas na estrutura viária que tem largas avenidas que começam no nada e vão a lugar algum, uma certa concentração de negócios por setores como em Brasilia, mas o centro novo é o lugar perfeito para a locação de um filme de ficção científica, é simplesmente deslumbrante o conjunto de prédios e passeios que foram construídos, mas fora isso e a cidade velha que tem alguns poucos resquícios dos outrora prédios árabes construídos de pedra pouco interessante restou para se ver na cidade, nem mesmo o mercado beduíno que era uma atração aos olhos resistiu hoje parece mais um Saara de zinco cheio de produtos made in China que as antigas tendas tendas beduínas onde se podia sentar e tomar um chá a moda beduína. Mas ao redor da cidade é um show a parte... é o deserto e os inumeros acampamentos de beduínos com suas tendas, suas cabanas de metal, seus cavalos e camelos e suas mulheres vestidas de negra e cobertas dos pés à cara,belo, enigmático, atraente e perigoso, as poucas horas que empreendi uma caminhada até o shuk beduini minha pele já estava toda rachada e escamando e é preciso estar sempre com uma garrafa de água à mão pois não se percebe a desidratação rápida que o clima leva ao corpo.
Mas Beersheva não me interessava e parti para Mitzpe Ramon mais ao sul, onde se vê e se sente o deserto como ele é belo e silencioso. A cidadezinha é bonita bem mais que Beersheva, parece uma casa de bonecas e toda jardinada embora se esteja no deserto mas é tudo sonolento, não se vê gente nas ruas, apenas o barulho de crianças em uma escola por onde passei em frente. No final da cidade se inicia uma espetácular cratera, uma monstruosa e magnifica cratera originada pela queda de um meteorito há 250 milhões de anos atrás do tamanho aproximadamente de Natal, é gigantesca!
Dormi em Mitzpe Ramon e no dia seguinte percorri de Jeep a imensa cratera que está uns 500 metros abaixo da cidade, já não se sente calor mesmo no deserto o vento é suave e fresco. Depois peguei um onibus e fui a Ein Avdat uma reserva natural nacional repleta ruinas milenares de uma fortificação nabatéia o mesmo grupo que construiu e viveu em Petra e també, de cabras montesas que passeiam despreocupadas sem se assustar ao nosso lado, alí além das cabras está um campus avançado para pesquisas ambientais no deserto da Universidade Ben Gurion de Beersheva, e as tumbas do Fundador do Estado de Israel David Ben Gurion e sua esposa Pola Ben Gurion e onde diáriamente se realiza a uma cerimonia de troca de tropas feita por soldados e soldadas da Tzavah, alí ao lado tem uma grande base militar, o Negev está repleto de bases militares perdidas na imensidão marrom clara do deserto, Desci a pé o Wadi para uma caminhada no deserto de duas horas, nesse trecho tem um rio perene (pequenininho) com quedas dágua, cavernas e uma fauna e flora impressionantes. Apesar da sequidão muita gente já morreu no deserto pelas repentinas enchentes e inundações que ocorrem no deserto na época das chuvas, elas aparecem e desaparecem sem dar tempo de correr e socorrer fica apenas a marca no chão dessas passagens são como cicratizes na carne que vão marcando a cada ocorrência. Ao final do dia voltei para Beersheva e Tel Aviv.
No deserto a primeira respirada outonal, aqui de verdade se sente mais rapido quando as estações mudam e a noite já faz um pouco de frio. Beersheva lembra de certa maneira um pouco Brasilia, não nos prédios iguais mas na estrutura viária que tem largas avenidas que começam no nada e vão a lugar algum, uma certa concentração de negócios por setores como em Brasilia, mas o centro novo é o lugar perfeito para a locação de um filme de ficção científica, é simplesmente deslumbrante o conjunto de prédios e passeios que foram construídos, mas fora isso e a cidade velha que tem alguns poucos resquícios dos outrora prédios árabes construídos de pedra pouco interessante restou para se ver na cidade, nem mesmo o mercado beduíno que era uma atração aos olhos resistiu hoje parece mais um Saara de zinco cheio de produtos made in China que as antigas tendas tendas beduínas onde se podia sentar e tomar um chá a moda beduína. Mas ao redor da cidade é um show a parte... é o deserto e os inumeros acampamentos de beduínos com suas tendas, suas cabanas de metal, seus cavalos e camelos e suas mulheres vestidas de negra e cobertas dos pés à cara,belo, enigmático, atraente e perigoso, as poucas horas que empreendi uma caminhada até o shuk beduini minha pele já estava toda rachada e escamando e é preciso estar sempre com uma garrafa de água à mão pois não se percebe a desidratação rápida que o clima leva ao corpo.
Mas Beersheva não me interessava e parti para Mitzpe Ramon mais ao sul, onde se vê e se sente o deserto como ele é belo e silencioso. A cidadezinha é bonita bem mais que Beersheva, parece uma casa de bonecas e toda jardinada embora se esteja no deserto mas é tudo sonolento, não se vê gente nas ruas, apenas o barulho de crianças em uma escola por onde passei em frente. No final da cidade se inicia uma espetácular cratera, uma monstruosa e magnifica cratera originada pela queda de um meteorito há 250 milhões de anos atrás do tamanho aproximadamente de Natal, é gigantesca!
Dormi em Mitzpe Ramon e no dia seguinte percorri de Jeep a imensa cratera que está uns 500 metros abaixo da cidade, já não se sente calor mesmo no deserto o vento é suave e fresco. Depois peguei um onibus e fui a Ein Avdat uma reserva natural nacional repleta ruinas milenares de uma fortificação nabatéia o mesmo grupo que construiu e viveu em Petra e també, de cabras montesas que passeiam despreocupadas sem se assustar ao nosso lado, alí além das cabras está um campus avançado para pesquisas ambientais no deserto da Universidade Ben Gurion de Beersheva, e as tumbas do Fundador do Estado de Israel David Ben Gurion e sua esposa Pola Ben Gurion e onde diáriamente se realiza a uma cerimonia de troca de tropas feita por soldados e soldadas da Tzavah, alí ao lado tem uma grande base militar, o Negev está repleto de bases militares perdidas na imensidão marrom clara do deserto, Desci a pé o Wadi para uma caminhada no deserto de duas horas, nesse trecho tem um rio perene (pequenininho) com quedas dágua, cavernas e uma fauna e flora impressionantes. Apesar da sequidão muita gente já morreu no deserto pelas repentinas enchentes e inundações que ocorrem no deserto na época das chuvas, elas aparecem e desaparecem sem dar tempo de correr e socorrer fica apenas a marca no chão dessas passagens são como cicratizes na carne que vão marcando a cada ocorrência. Ao final do dia voltei para Beersheva e Tel Aviv.
06 outubro, 2010
Guerra do Yom Kypur 1973
Os primeiros documentos secretos da guerra do Yom Kypur começam a ser abertos e divulgados ao público interessado. A guerra de 1973 embora Israel tenha militarmente ganho ainda é uma ferida aberta na alma nacional pois por causa da estratégia ou talvez por não saber o que fazer e decidir rapidamente o governo de Golda Meir é responsabilizado pela trágicas perdas no ínicio da guerra, foram mais de dois mil soldados mortos e isso em Israel é tão grave quanto perder a guerra e por em risco a vida nacional. Após a guerra a esquerda israelense nunca mais se recompôs e o que havia sido uma opção de construir uma nova nação de uma maneira diferente acabou em 1973 quando a direita tomou o poder e não largou mais salvo por um pequeno suspiro ou lapso de tempo quando os trabalhistas voltaram ao poder em um governo de coalizão e depois com Shimon Peres e Izthak Rabin assassinado após assinar o acordo de Oslo com Arafat, repetindo assim a história, do mesmo jeito que sucedeu a Sadat no Cairo após o acordo de paz com Israel.
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