17 outubro, 2010

DE VOLTA AO PASSADO

Terça-feira passada acordei e resolvi voltar ao passado, 29 anos atrás mais precisamente. Fui até Netania que é a minha escolhida para viver aqui e de lá fui ao Kibutz Haogen, passando por todas aquelas kfarim que no passado passeei de bicicleta, é como se deslocar até o Eden descrito na Biblia, é um contínuo jardim de uma beleza indescritível e aí pensei porque não em vez de Netania uma dessas kfarim que ficam não mais que dez quilometros de Netania... a pensar. Cheguei no Kibutz e sai caminhando pelas veredas por entre os jardins do kibutz, passei pelo Heder ha Ochel, por onde íamos todos os dias  fazer as refeições e as vezes também trabalhar, hoje o prédio enorme e bonito continua bonito e moderno, apesar do tempo mas está fechado e não mais funciona como cozinha e refeitório, as salas adjacentes são escritórios alugados a particulares, sim é verdade para tristeza geral os Kibutzim acabaram em Israel, os sucessivos governos de direita pararam de subsidiá-los e eles faliram e foram sucessivamente sendo privatizados e o sonho que durou décadas e que ajudaram a construir o sonho de uma nação judaica morreu, é muito triste, e a propriedade das casas sequer ficou para aqueles que o construiram ao longo de gerações, estes jardins de beleza e de ideal ficaram para o Estado, aqui as terras pertecem ao Estado que as vende a particulares.
Continuando a minha visita a Haogen passei pelos prédios onde funcionavam os nossos dormitórios e a escola de hebraico, hoje alugados a moradores de fora bem como aos kibutzniks que continuaram morando em Haogen mas todos obviamente pagam aluguel ao Estado ( injustiça), pouco se produz de agricultura, a fábrica permanece funcionando com empregados contratados de fora. Mas tudo continua bonito como era. Passei por um kibutznik de idade já bem avançada e perguntei-lhe sobre o professor de hebraico Yaakov e ele me informou que Yaakov Guterman continuava no kibutz e morava a poucos metros de onde nos encontravamos, despedí-me agradecendo-lhe a informação e fui até a casa do morê, apertei a campanhia e ouço o professor perguntar quem era, aí disse-he Morê Yaakov fui seu aluno quase trinta anos atrás e em hebraico me convidou a entrar na sua casa para um café, me apresentou sua esposa que já não me lembrava mais, mas o professor envelhecido evidentemente ainda mantinha a mesma fisionomia de anos atrás.









Me perguntou se nesses anos todos falara hebraico pois falava muito bem e aí dei uma puxada de saco e disse-lhe que não que o hebraico que falava havia aprendido com ele trinta anos antes, e enquanto bebiamos o café me dizia das transformações pela qual passara o país umas muito boas outras nem tanto, me falara sobre as pessoas do kibutz, muitos evidentemente morreram mas me falou de Miriam a nossa metapelet que continuava viva já com 92 anos de idade, não deu tempo de ir visiá-la e ela evidentemente não me reconheceria ou se lembraria, falamos sobre o Brasil, os israelenses além de adorar o Brasil querem sempre saber sobre o país, a politica, a economia etc, para eles o Brasil é um país grande e poderoso, infelizmente o atual govêrno é pró-arábe. A conversa prosseguiu mas o tempo corria e a hora de voltar para Holon chegava, fizemos uma foto de lembrança e partí. 30 anos de lembranças que voltaram a viver em poucas horas, Evelyn Levy, Marco Bloch, Michelle, Corine, Alexander, David, Pablo e tantos outros.

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