08 outubro, 2010

DAROM

Quarta-feira de noite peguei o trem e parti para o sul, uma hora e meia de viagem até a capital do Negev - BeerSheva - onde vivi por quase dois anos.

No deserto a primeira respirada outonal,  aqui de verdade se sente mais rapido quando as estações mudam e a noite já faz um pouco de frio. Beersheva lembra de certa maneira um pouco Brasilia, não nos prédios iguais mas na estrutura viária que tem largas avenidas que começam no nada e vão a lugar algum, uma certa concentração de negócios por setores como em Brasilia, mas o centro novo é o lugar perfeito para a locação de um filme de ficção científica, é simplesmente deslumbrante o conjunto de prédios e passeios que foram construídos, mas fora isso e a cidade velha que tem alguns poucos resquícios dos outrora prédios árabes construídos de pedra pouco interessante restou para se ver na cidade, nem mesmo o mercado beduíno que era uma atração aos olhos resistiu hoje parece mais um Saara de zinco cheio de produtos made in China que as antigas tendas tendas beduínas onde se podia sentar e tomar um chá a moda beduína. Mas ao redor da cidade é um show a parte... é o deserto e os inumeros acampamentos de beduínos com suas tendas, suas cabanas de metal, seus cavalos e camelos e suas mulheres vestidas de negra e cobertas dos pés à cara,belo, enigmático, atraente e perigoso, as poucas horas que empreendi uma caminhada até o shuk beduini minha pele já estava toda rachada e escamando e é preciso estar sempre com uma garrafa de água à mão pois não se percebe a desidratação rápida que o clima leva ao corpo.








Mas Beersheva não me interessava e parti para Mitzpe Ramon mais ao sul, onde se vê e se sente o deserto como ele é belo e silencioso. A cidadezinha é bonita bem mais que Beersheva, parece uma casa de bonecas e toda jardinada embora se esteja no deserto mas é tudo sonolento, não se vê gente nas ruas, apenas o barulho de crianças em uma escola por onde passei em frente. No final da cidade se inicia  uma espetácular cratera, uma monstruosa e magnifica cratera originada pela queda de um meteorito há 250 milhões de anos atrás do tamanho aproximadamente de Natal, é gigantesca!













Dormi em Mitzpe Ramon e no dia seguinte percorri de Jeep a imensa cratera que está uns 500 metros abaixo da cidade, já não se sente calor mesmo no deserto o vento é suave e fresco. Depois peguei um onibus e fui a Ein Avdat uma reserva natural nacional repleta ruinas milenares de uma fortificação nabatéia o mesmo grupo que construiu e viveu em Petra e també, de cabras montesas que passeiam despreocupadas sem se assustar ao nosso lado, alí além das cabras está um campus avançado para pesquisas ambientais no deserto da Universidade Ben Gurion de Beersheva, e as tumbas do Fundador do Estado de Israel David Ben Gurion e sua esposa Pola Ben Gurion e onde diáriamente se realiza a uma cerimonia de troca de tropas feita por soldados e soldadas da Tzavah, alí ao lado tem uma grande base militar, o Negev está repleto de bases militares perdidas na imensidão marrom clara do deserto, Desci a pé o Wadi para uma caminhada no deserto de duas horas, nesse trecho tem um rio perene (pequenininho) com quedas dágua, cavernas e uma fauna e flora impressionantes. Apesar  da sequidão muita gente já morreu no deserto pelas repentinas enchentes e inundações que ocorrem no deserto na época das chuvas, elas aparecem e desaparecem sem dar tempo de correr e socorrer fica apenas a marca no chão dessas passagens são como cicratizes na carne que vão marcando a cada ocorrência. Ao final do dia voltei para Beersheva e Tel Aviv.















Um comentário:

José de Medeiros disse...

Teu dinheiro está dando cria, meu amigo? Enquanto isto estou em negociação para colocar um restaurante árabe... O chef levou algumas amostra lá em casa e lembramos de você. Forte abraço.