17 outubro, 2010

AMAN-PETRA


Quarta-feira de tarde viajo para Nazaré, já que de manhã cedinho tenho que pegar o ônibus que vai para Aman. Me hospedo mais uma vez no Fauzi Azar, a noite na sala de café bato um papinho com um casal de italianos, ela doutora em história e aí foi um prato cheio para uma conversa muito interessante de algumas horas em italiano já que não falava hebraico, entre história e viagens pois estavam a passeio falei que na manhã seguinte seguiria para Aman e Petra, foi quando se aproximou um rapaz e me perguntou se poderia viajar na minha companhia pois tinha vontade de ir a Jordânia, eu disse que sim embora não estivesse querendo muita companhia, mas como era apenas para fazer o percurso disse que sim, o cara como todo mexicano tinha cara de indio hahahahaha, mas ao longo da viagem se mostrou simpático e felizmente não era grudento. Dia seguinte, acordado desde as 6 da matina, banho, café e fechar a conta e partir de táxi até o escritório da empresa onde o ônibus iniciava a minha viagem. Não há estação rodoviária em Nazaré, pontualmente as 8 e meia partimos, uma hora e meia depois estavamos na fronteira no Rio Jordão.


Ficamos quase a metade do tempo de toda a viagem entre os postos de controle de Israel e depois da Jordânia após atravessar o Rio Jordão. A viagem dolado Israelense entre Nazaré e  o posto de fronteira é uma sucessão de paisagens verdes e bem cuidadas, mas do lado Jordaniano é um choque! tudo é seco, não há árvores, não fazem jardins, mas isso é o menos grave, o que se vê a seguir é a realidade de um país pobre de terceiro mundo, as vilas são pobres embora não se veja miséria, não há saneamento básico, não há planejamento urbano, infraestrutura é um sonho aqui, quase nada existe e a sujeira impera, garrafas pet e plasticos aos montes em todos os lugares não apenas nas vilas e cidades mas na estrada, é tudo muito feio e seco, parece com um nordeste de poucos anos atrás, em todos os postes fotos do Rei Abdullah e dos candidatos ao parlamento nas eleições que estão para acontecer, logo não é difícil imaginar que tipo de eleição eles vão ter, num país onde metade do parlamento é indicada pelo Rei e a outra dividida entre os oligarcas menos importantes. Pouco depois chegamos a Irbid, a segunda maior cidade da Jordânia e confesso que ainda não havia visto lugar tão feio em toda a minha vida, Manaus é mais bonita e por sorte não ficamos mais que meia hora naquele lugar e partimos em direção a Aman e é incrivel que a única paisagem verde são algumas poucas plantações de Oliveiras que tem um tom verde platina e que pouco ajuda a melhorar o visual da aridez do deserto jordaniano.


 Duas horas depois estavamos chegando em Aman que para minha surpresa é uma cidade interessante e grande dizem ter quatro milhões de habitantes e é toda branca as casas aqui como em Jerusalém são revestidas de pedra, só que numa tonalidade mais clara que  a de Jerusalém. A cidade é meio desorganizada mas não chega a ser caótica, lembra um pouco a bagunça brasileira o que me fez sentir bem em Aman. A cidade é dividida por circulos que vão do primeiro o mais central até o sétimo, onde está o distrito financeiro da cidade e onde me hospedei em Al- Shmeissani e perto do escritório da Jett a empresa que faz a viagem para Petra e para onde iria no dia seguinte as  seis e meia da manhã.
Meu amigo Avi de Tel Aviv me indicou a um amigo dele Jordaniano que foi me buscar no hotel e me levou para conhecer Aman de tarde e de noite, fomos a um bar livraria enorme e muito bonito frequentado por intelectuais da Jordânia, conhecí no balcão - e batemos um longo papo- O Samir, um palestino com cidadania norte-americana, culto, bem instruído e muito misterioso, eu obviamente não disse que era judeu, já que em Israel todos me alertavam que não era muito seguro para judeus viajar sózinho na Jordânia, mas bobagem os Jordanianos são amaveis, gentis e um povo extremamente cordato e segurança é algo que não falta, todos me diziam que se pode andar sozinho pelas ruas a noite pois não há assaltos nem violência, mas nos hoteis sempre tem na porta tijolões enormes de concreto fazendo barreira e controle de bagagem em máquinas de raio x e detectores de metais e explosivos para checar a tudo e todos que entram, portanto não é apenas em Israel que tem isso não hein!
Voltei para o hotel  as 1:30 da madrugada sem saber que Aman está uma hora mais adiantada que Tel Aviv e por sorte pedi a recepção que me despertassem as cinco da manhã ou seja não dormi quase nada, tomei banho e descí para tomar café que solicitei e partí para Petra e mais quatro horas de ônibus pelo deserto.





Petra é estonteante, a paisagem é de cinema realmente, caminha-se por volta de 2km e meio pelo wadi em pleno deserto como se estivesse soterrado pelas imensas e belas escarpas das montanhas em quase becos e caminhos não sei se construídos pelos Nabateus ou se pela erosão das inundações repentinas que acontecem no deserto formando rios caudalosos e de correnteza forte mas que duram apenas minutos, mas temos desde o início do wadi (vale) várias ruinas de construções Nabatéias incrustradas na Rocha mas que quanto mais nos aproximamos da parte cenbtral do Wadi e escondida por altissimas montanhas é que vemos o tesouro que esse povo legou a posteridade, são quatro quilometros a extensão total do sitio arqueológico totalizando ida e volta oito quilometros em sol escaldante e muita poeira pois o espaço é compartilhado por pedestres, cavalos, camelos e carroças, mas vale a pena é um dos lugares mais lidos do mundo, pena que as autoridades jordanianas não cuidem com a atenção necessária.











Portanto, água muita água é fundamental, pois no deserto a desidratação ocorre muito rapidamente e nossos cérebros não percebem.
Cansado fiz o percurso de volta e fiquei aguardando a hora de voltar a Aman.
Às dez da noite estava de volta a Aman e Shadi o amigo do meu amigo israelense foi novamente me buscar no Hotel para mais um giro noturno em Aman, paramos num quiosque e o atendente nos trouxe dois cafés árabes deliciosos, fomos jantar por volta da meia noite, a vida noturna em Aman é intensa mas quase inteiramente masculina se vê poucas mulheres e estas sempre acompanhadas, mas nos bares se bebe alcool livremente e sem problemas e as pessoas se vestem a moda ocidental também, embora a grande maioria ainda se vista a moda árabe, voltei para o Hotel por volta das tres da madrugada, pouicas horas depois saí para comprar algumas pequenas coisas e partí para o local de onde saíria o ônibus de volta a Israel. Chegamos em Israel por volta das sete e meia da noite, após a lenta checagem nos dois postos de fronteira, em Nazare Ilit peguei um onibus da Egged e voltei a Tel Aviv, casa e final de viagem.
Minha garganta piorou e o peito cheio de secreção me leva a azitromicina e repouso.

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