Quem conheceu a Pipa trinta anos atrás sabe o que se pode chamar de Paraíso. Aquela primeira geração que saia de Natal e de João Pessoa aventurando-se nas estradas de terra e de areia em jeeps e lombo de burro, viagens que duravam uma quase eternidade sabiam que o esforço valia a pena.
A geografia intacta e indevastada exceto pelas poucas e pequenas roças de mandioca cultivadas pelos pescadores locais e pelas ruelas de terra repletas de valas esculpidas pelas chuvas do inverno e os ventos do verão, com porcos, galinhas e cachorros transitando ladeira arriba e abaixo produzindo junto com os humanos nativos embrutecidos pelo isolamento, toda espécie de imundícies orgânicas. O resto e que resto!!! era o paraíso, céu azul pontilhado de nuvens brancas, praias desertas e limpas todas de uma beleza estonteante e ondas, muitas ondas para o deleite daqueles surfistas de trinta anos atrás.
Como em todos os vilarejos de pescadores do litoral brasileiro que cairam nas graças dos mochileiros e viajantes alternativos e se tornaram destinos turísticos, a Pipa fez o mesmo percurso.
Primeiro vieram os surfistas que chamaram a atenção dos mochileiros que trouxeram os desiludidos das metropoles do sul e do sudeste do Brasil, que construíram as primeiras pequenas pousadas, que contrataram os filhos dos pescadores para serviços domésticos e nas suas pousadas, que por sua vez foram montar os primeiros restaurantes de frutos do mar- as peixadas -, esses lugares foram crescendo e se modificando rapidamente.
Os nativos,- o elo mais frágil dessa cadeia-, foram perdendo seus hábitos centenários, foram abandonando suas atividades econômicas originárias, a especulação imobiliária foi afastando-os da orla da praia, de suas casas, de suas propriedades.
A antiga Vila sumiu, outra surge maior, bem iluminada, repleta de lojas, restaurantes, hotéis e pousadas, boites, bares e muitos turistas. Tudo perfeito, todos felizes com o desenvolvimento, com a melhora das condições e qualidade de vida. Mas na Pipa a história foi escrita de outra maneira e o paraíso foi lentamente se transformando no inferno.
Quem chega e passa um rápido e aprazível fim de semana em uma bela pousada com direito a uma esticada noturna a um restaurante não consegue perceber o CAOS que é viver ou passar uma temporada mais longa na PIPA.
Ausência de infraestrutura para receber o aporte de gente que hoje visita e mora na praia é gritante. Saimos da BR-101 e acessamos um caminho asfaltado porém repleto de buracos, de lombadas, sem sinalização horizontal e vertical, sem acostamento e cheia de curvas, é uma aventura! Chegando na Pipa entra-se pela Av.dos Golfinhos, uma rua tortuosa, estreita, comprida e calçamento de pedra danificado em toda sua extensão. Trafegar com carro é outra aventura, todos param onde, como e pelo tempo que lhes aprazem, sem qualquer controle de transito o que gera enormes engarrafamentos e se tiver caminhão a coisa é pior, guarda de transito nunca se vê e quando aparecem são eles que não veem nada, absolutamente nada. Os lojistas e proprietários de outros estabelecimentos se apropriam do espaço publico com cones de plástico para impedir que automoveis estacionem defronte de seus negócios, TUDO È NORMALÍSSIMO NA PIPA!!!!
As Drogas, que um dia já foi charmosa na Pipa hoje são uma EPIDEMIA, nativos dependentes de crack e de cocaína, a maconha é coisa de careta ou de iniciantes, os gringos e os bichogrilos completam o cenário desse rico comércio ilegal que não se limita apenas a compra e venda mas as outras atividades complementares que acompanham a Epidemia, a VIOLÊNCIA com assaltos e arrombamentos de casas e de carros, assaltos a transeuntes locais e turistas, estupros, arrastões em hotéis e pousadas e por fim os assassinatos, isto em um lugar onde POLÌCIA e POLICIAMENTO são apenas nomes de fantasia em parede de Delegacia.
Prefeitos ineptos, despreparados técnica, ética e moralmente para exercerem atividade pública relevante e gerar o bem estar público da comunidade são a tônica recorrente em Tibau do Sul, munícipio onde se localiza a Praia da Pipa.
Especulação imobiliária, crescimento explosivo da população com adensamento demográfico elevado conjugada a ausência de infraestrutura viária, sanitária, educacional e de saúde tornaram o vilarejo numa grande FAVELA, feia, suja e difícil de morar.
Num dos verões que passei na Pipa (tenho casa de veraneio lá) ouvi na pracinha um discurso da Governadora a Exma. Sra. Profa. Wilma de Faria anunciar os grande e inevitáveis melhoramentos que sua administração levaria para a PIPA, alguns verões depois nada mudou para melhor e o discurso era só discurso. Resolveram fazer na vida real exatamente o que relata a fábula da Galinha dos ovos de Ouro, estão matando a Galinha para ficar ricos, mas rapidamente se descobrirão muito mais pobres. COITADA DA PIPA.....UM DIA FOI PARAÌSO.
Um comentário:
Um texto que nos leva a refletir sobre o crescimento desordenado destes locais que antes eram verdadeiros paraísos e devido ao crescimento desordenado e a falta de uma política que contemple questões de sustentabilidade, formação, capacitação, economia solidária.
Espero que o seu texto sirva de reflexão para o povo da Pipa e os que podem ajudar na melhoria deste local.
Boa leitura.
Beijos do
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