Os gritos em hebraico que chega a parecer árabe quando falado por judeus provenientes de países árabes, é presença forte em todos os shuks, chamam desesperadamente pelos clientes, que param, ouvem e começam a reclamar dos preços...uma guerra! quem não entende pensa que vai sair porrada!
Para entrar no Shuk que é na verdade uma rua ou várias ruas dependendo do shuk, tem que passar primeiro pelo bloqueio da polícia, abrir as mochila ou bolsa ou o que tenha em mãos, e ser varrido eletronicamente, sim aqui é uma necessidade, pois o país vive em estado de alerta permanente contra ataques à população civil, aqui mesmo pertinho do shuk num dia feriado alguns poucosanos atrás um terrorista se explodiu vizinho a um jardim de infância e mais de 100 crianças morreram.
Saímos do Shuk e atravessamos a Allemby para entrar na Rehov Shenkim, uma área de restaurantes e bares e lojas de design e muitas botiques. A rua apinhada de gente, de cachorros, de bicicletas, de vespas, de carros e muitas mesas pelas calçadas transformam o lugar numa colorida paisagem e o dia ajudava pois com céu azul de brigadeiro e uma briza agradavel embora os termometros marcassem 34 graus centigrados, paramos no primeiro café onde com muita sorte uma mesa vazia nos convidava para uma geladissima, aqui bebo sempre a Stella, não muito porque dar muita dor de cabeça a conta da loura R$ 15,00 a garrafa pequena, é uma fortuna uma cerveja aqui. Os pães são uma especialidade que creio só a França consegue bater Israel, são deliciosos, aqui se toma café, se almoça e janta pão.
Continuamos após o lanche e a cerveja caminhando pela Shenkin até chegarmos a Sderot Rotschild o mais bonito boulevard de Tel Aviv, seguimos nele no calçadão central onde passamos por um grupo de israelenses que explicavam e convidavam os moradores de Tel Aviv a irem a uma manifestação de apoio aos
árabes de Jerusalém que tiveram suas propriedades desapropriadas para dar lugar a um novo bairro de
Jerusalém e aí se percebe como a sociedade israelense é dividida, os carros que passavam no Boulevard e ouviam o discurso dos esquerdistas que defendem os palestinos gritavam do carro, traídores de...., meus amigos também ficaram revoltados e creio que sobrou pra mim também, pois curioso fui conversar com um dos organizadores e peguei alguns panfletos sobre o movimento, eles Offir e o amigo diziam por que eles não se preocupam com o quase milhão de judeus que vivem na faixa da pobreza em Israel em vez de preocupar-se com árabes que querem nos matar e destruir....é muito difícil dizer algo quando há tanta dor, tanta agressão e tanta desconfiança, não dá sequer para julgar, todos tem suas razões e não conseguem ou querem dar o primeiro passo para sair desse paradigma de horror e ódio.
Depois daí passei a fazer um percurso solo pois meus amigos foram para Haifa. voltei pela Allenby e entrei novamente na Rotschild mas na parte sul e fui almoçar no Rustico um restaurante italiano muito interessante com uma comida boa, um vinho bom... mas muito caro... mas valeu a pena, após o almoço que terminou já pelas cinco da tarde, ia pegar um táxi pois os ônibus param na sexta e no sábado (SHABAT) quando esbarrei com o Gai, um amigo que ia para Bat Yam passar o Shabat com os pais e me deu uma carona até minha casa.
Sábado, Marcelo Miler meu amigo de trinta anos veio me buscar e fomos para um parque aquático em Holon com os filhos dele e do irmão, um sábado genial de criança e a noite jantar na casa de Rami.
Domingo de SUKOT fui a Jerusalém, cheguei ao COTEL - O MURO DAS LAMENTAÇÔES - repleto de gente rindo, rezando, caminhando e novamente senti a mesma sensação da primeira vez em que estive lá, a energia das orações que ali são feitas todos esses milhares de anos transformou aquele local numa espécie de estação de energia, minha pele queimava de dentro pra fora e parecia estar tendo espasmos no corpo inteiro, não tenho palavras que possam definir o que realmente sinto quando vou ao Kotel essas são as que mais se aproximam e são pobres para exprimir o que de fato acontece.
Fiz minhas preces e meus pedidos e segui para a cidade antiga mas a polícia não permitia a entrada no quarteirão mulçumano onde está o HAR HA BAIT - O Monte do Templo, alí a policia só deixava entrar moradores, com o feriado judaico e os disturbios da semana passada em Jerusalém tudo era alerta máximo, mas a calma reinava dentro das muralhas, resolvi então caminhar pelo quarteirão cristão e fui até a Igreja do santo Sepulcro que é simplesmente linda e me deixou perturbado, não passei muito bem dentro da Igreja, sentia uma pressão no peito que ia e vinha como se fosse uma angina mas muito fraca, o que me tranquilizava, mas o calor também era forte e me esqueci de comprar uma garrfa de água mineral para beber, necessário aqui pois é muito seco.
A Igreja é belissima e as missas rezadas por diversos grupos de padres de diversas correntes cristãs que entram na Igreja em procissão, acontecem seguidamente e são marcantes pois os rituais e as linguas em que são realizadas são vários, russo, grego, copta e árabe, e claro turistas muitos turistas principalmente russos!
Mas aí já estava cansado e fui para a cidade nova onde os ambientes também eram de festas, comércio parcialmente fechado atravessei a Praça Oswaldo Aranha mantida pela Confederação Israelita do Brasil e que é na realidade um antigo cemitério árabe onde ainda se vê as inumeras sepulturas por toda a praça,
obviamente que não há restos mortais alí, elas ficaram apenas como monumentos e história da cidade, segui pela King George onde encontrei uma mesa no calçadão, sentei, descansei e tomei um sorvete de maracujá depois comprei burekas de queijo e voltei para Tahanat Merkazit embarcar para Tel Aviv e aqui estou eu em casa escrevendo.




























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